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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 210

POV: DOMINIC FERRARO

Cada osso do meu corpo parecia carregar o peso de uma tonelada de ferro maciço. Eu me sentia completamente esgotado, quebrado, com a mente arrastada pelo fundo do poço mais escuro desde o segundo em que fui obrigado a abrir mão da Alessia para mantê-la viva longe de mim. Entrar naquele Conclave com a alma em frangalhos tinha tirado a minha verdadeira vontade de lutar. Eu estava fraco, tenso, sustentando a soberania do meu nome apenas pela força bruta do ódio, mas o colapso físico ameaçava me derrubar a cada respiração profunda. O ar entrava rasgando os meus pulmões como se eu estivesse engolindo vidro moído. Cada puxada de oxigênio ativava uma pontada violenta no lado esquerdo do meu peito, um aviso cruel de que pelo menos duas das minhas costelas tinham cedido durante a selvageria das provas anteriores.

O torneio tinha sido um moedor de carne impiedoso até aqui. Na primeira etapa, naquele pátio maldito de contêineres, experimentei o gosto amargo e violento da humilhação. Prensado por uma aliança covarde entre os cães de Roma e Gênova, precisei saltar da minha plataforma de segurança para sujar as minhas próprias mãos na terra de Palermo, apanhando como um bicho encurralado. Lembrei com clareza dos chutes pesados no meu rosto, do sangue quente cobrindo a minha visão e da sensação agonizante de estar prestes a apagar no chão, salvo apenas pelo gongo da morte de um rival do Vêneto.

Na segunda etapa, dentro daqueles tanques de ferro e vidro, o inferno ganhou contornos de asfixia e tortura. A água salgada e congelada do mar invadiu os meus cortes recentes, fazendo a minha carne queimar, enquanto o gás lacrimogêneo derretia os meus pulmões por dentro. Tatear o fundo daquele poço no escuro e destruir a pele dos nós dos meus dedos na alavanca mecânica para libertar os meus homens me custou o resto de energia que eu ainda guardava no peito. Fui arrastado para uma maca, costurado pelos médicos do Moretti e dopado com remédios pesados, mas a dor continuava ali, me cobrando o preço de cada escolha.

E então veio a terceira etapa, o pesadelo cego no meio do galpão de navios antigos. A fumaça preta e densa tirou a pouca certeza tática que eu ainda possuía. Perder o Marlon daquele jeito cruel, escutar o osso dele partindo no breu e ver o Pink e o Pitbull desabarem inconscientes me deixou completamente cego de desespero. Eu estava prestes a ser massacrado pelos sobreviventes do continente quando a voz do Lorenzo estrondou pelos alto-falantes, estalando no meu cérebro como um raio de pura insanidade: o meu troféu prateado estava aqui na ilha. A Alessia estava na Sicília, bem debaixo do meu nariz. Saber que a minha princesa prateada corria o risco de ser caçada no meio daqueles lobos arrancou a minha mente daquela apatia maldita. O interruptor do monstro ligou. Eu não lutei mais pela política da organização; lutei por posse pura. Esmaguei a cabeça do soldado da Máfia Azus no cimento guiado por uma fúria animal, porque eu precisava sobreviver para buscá-la.

Enquanto eu esperava o início do combate final na penumbra da La Inferno, apoiei as minhas costas machucadas contra as ferragens frias do ringue industrial e fechei os olhos bicolores por alguns segundos. Nesse breve instante de escuridão, o filme de toda a minha vida começou a passar diante do meu juízo como uma assombração. Lembrei daquela noite de sangue na minha infância, quando o desgraçado do Leopoldo Lombardi destruiu o império do meu pai, tirando a vida do velho Ferraro e fazendo a minha mãe sofrer e morrer bem diante dos meus olhos. Lembrei de mim e do Lorenzo sendo jogados nas sarjetas, crescendo no chão duro do exílio, morando nas ruas e lutando em rinhas humanas e gaiolas clandestinas por um pedaço de pão. Cada cicatriz gravada na minha pele representava uma marca de sobrevivência, uma briga que venci na base do ódio puro e dos dentes trincados. Eu tinha subido do inferno absoluto para reconstruir o nosso legado, e não seria na reta final que eu me entregaria para a morte.

Senti uma pressão firme e quente pousar de repente sobre a minha cabeça, me arrancando daquele turbilhão de memórias do passado. Abri os olhos e dei de frente com o Lorenzo. Meu irmão caçula estava com o semblante tenso, mas o olhar dele carregava uma seriedade profunda. Ele se inclinou na minha direção, espalmando a mão na minha nuca.

— Você vai vencer essa porra, Dominic — Lorenzo falou, a voz sussurrada cortando o burburinho da plateia. — Você precisa vencer por mim, por você, pelo Cássian e pela Alessia. Ganhe pela memória da nossa mãe e por tudo o que nós fomos fracos demais para proteger no passado. Você é o melhor de nós.

Segurei o pulso dele com firmeza, sentindo a cumplicidade de sangue nos fortalecer de dentro para fora.

— Eu vou vencer — respondi, sentindo a determinação renovar as minhas forças.

Lorenzo se afastou com um aceno firme, e o meu olhar subiu em direção à passarela elevada onde o Killian Moretti nos observava de cima. O Capo Supremo mantinha os braços cruzados, exibindo a sua habitual frieza tática e demonstrando que confiava o destino do país ao meu desempenho. Ele assentiu discretamente com a cabeça, me dando a certeza silenciosa de que a Alessia continuava sob segurança máxima e esperando pela minha vitória. O destino de toda a Itália Continental estava sobre os meus ombros lesionados. Eu precisava garantir o controle total do território não apenas pelo meu orgulho, mas porque o Lorenzo tinha o casamento arranjado com a Antonella Moretti. Para que o meu irmão pudesse atuar como o conselheiro de direito da organização e conciliar os negócios com total respeito, a Sicília precisava mandar na porra toda.

CAP. 234 - Eu u venceria por ela e  por todos que são importantes para mim 1

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