POV: DOMINIC FERRARO
O gongo industrial da La Inferno ecoou três vezes pelas paredes de ferro, decretando o início do massacre. O som da plateia VIP nos camarotes sumiu da minha mente, substituído pelo estalo abafado dos meus próprios passos no tatame emborrachado. Dos seis inimigos no local, os quatro soldados da aliança avançaram de uma vez só, espalhando-se para nos encurralar no centro do ringue, enquanto o Dorian e o Marx ficavam recuados no canto oposto, apenas assistindo.
Cuspi um resto de sangue no chão e curvei o corpo, colando as minhas costas contra as do Canário para cobrir os nossos pontos cegos.
— Dois para você, dois para mi, Canário — ordenei, trincando os dentes e cerrando os meus punhos enfaixados. — Os chefes a gente resolve depois.
— Entendido, Capo — o Canário respondeu, firmando os pés.
O primeiro soldado de Roma avançou como um touro, desferindo um soco cruzado na direção do meu rosto. Consegui esquivar com rapidez, jogando a minha cabeça para o lado, mas o segundo capanga da Azus aproveitou o meu movimento de esquiva e desferiu um chute lateral com total brutalidade direto contra a minha caixa torácica.
O impacto da bota estalou seco contra a minha pele. Senti as minhas duas costelas previamente fraturadas se moverem por dentro, perfurando a carne. A dor excruciante bloqueou o meu oxigênio na mesma hora, me causando um flash de cegueira branca. Perdi o equilíbrio das pernas e desabei de costas no chão duro do tatame.
Antes que eu conseguisse rolar para tentar me defender, os soldados se fecharam ao meu redor em uma roda de covardia. Eles começaram a descarregar uma sequência cruel de chutes pesados contra as minhas costelas machucadas e o meu estômago. O meu rosto bateu contra o emborrachado úmido e o gosto metálico do sangue inundou a minha boca por completo. Eu estava sendo pisoteado, virando um saco de pancadas indefeso na frente de toda a Itália.
Acima do som da carne sendo esmagada, a voz do Lorenzo estrondou como um trovão pelos alto-falantes da boate, rasgando o sistema de som master:
— Levanta do chão, Dominic! Levanta do chão, porra! Levanta agora!
O Canário urrou de fúria e jogou o próprio corpo contra os agressores para me defender, desferindo um soco direto no rosto de um romano e empurrando os outros para trás. Mas a desvantagem numérica cobrou o preço técnico. Um dos soldados desferiu um chute violento diretamente contra a articulação do joelho do Canário. O osso estalou. Meu soldado soltou um grito ríspido e caiu de joelhos no chão, mancando pesadamente, mas mantendo a lâmina erguida.
Ver o Canário fraquejar de joelhos e escutar a voz do meu irmão no teto acionou o último interruptor de insanidade que restava na minha alma. Forcei o meu corpo quebrado para cima em uma reação explosiva e animalesca, impulsionando os meus pés contra o chão de uma vez só para ficar de pé como um demônio. Avancei contra o soldado da Máfia Azus que tentava finalizar o Canário. Joguei o peso do meu tronco para a frente e desferi um soco direto bem no centro da garganta dele. A cartilagem do pomo de adão do desgraçado se partiu com um estalo nítido. Sem dar tempo para ele cair, descarreguei um soco de esquerda com força total direto no osso do peito dele.
A pele dos meus nós dos dedos ardeu por baixo das bandagens brancas, enquanto o soldado desabava de costas no chão, com os olhos virados e babando sangue. Um a menos.
O segundo soldado do Piemonte tentou me cortar pelo lado. Esquivei do golpe, travei o braço dele por baixo da minha axila e usei toda a minha força arrancada do ódio para erguer o corpo dele no ar, jogando-o com violência para o outro lado do ringue. Avancei como um carrasco e pisei com total brutalidade bem no centro da barriga dele, fazendo-o cuspir uma lufada espessa de sangue escuro no concreto.
Inclinei o corpo na direção dele, com o rosto banhado em vermelho, e esbravejei:
— Você se rende? Você se rende ou não se rende, seu pedaço de merda?!
Antes que o homem conseguisse gesticular, o Capo Dorian cruzou o ringue desferindo um chute certeiro exatamente em cima da minha costela quebrada. A dor foi tão absurda que a minha visão apagou por um segundo completo. Fui empurrado para trás pelo tranco e o Dorian aproveitou o meu vacilo, saltou por cima do meu peito e me derrubou de costas, montando na minha cintura com toda a sua estrutura pesada.
O líder da Máfia Azus começou a descarregar uma sequência insana de socos direto contra o meu rosto. Esquerda, direita, esquerda. Os impactos estalavam no galpão, mas a verdade era que eu já não conseguia sentir a dor física das batidas; a minha face estava totalmente dormente, anestesiada pela quantidade de porrada.
No meio daquela névoa de impactos, a minha mente se desligou da arena. Lembrei do semblante do Lorenzo limpando as minhas feridas na rua quando éramos crianças. Lembrei do corpo da minha mãe estirado no chão de Palermo. Lembrei do orgulho do velho Ferraro e da responsabilidade do legado. Lembrei da confiança cega que o Killian Moretti tinha depositado no meu nome. E, acima de tudo, lembrei da Alessia. Lembrei do sorriso, dos cabelos prateados dela. Lembrei dela bem pequena, uma garotinha inocente cruzando o meu caminho desde quando nasceu, a menina que o destino moldou para ser a minha salvação e o meu maior vício. Eu não podia deixá-la sozinha neste mundo de carrascos.
O Dorian berrou de fúria, largando os punhos e cravando as duas mãos diretamente ao redor do meu pescoço, apertando a minha traqueia para tirar o resto de oxigênio. Minhas vistas começaram a escurecer pelas bordas. Enfiei os meus dois braços por baixo do pescoço dele, forçando os meus ombros contra a cara dele para tentar explodir a pegada, enquanto ele continuava esmagando a minha garganta e desferindo golpes contra os meus ombros travados.
De repente, o Canário se arrastou pelo chão e desferiu um golpe certeiro na nuca do Dorian. O Capo do Piemonte soltou um urro de dor, afrouxando o aperto e rolando para o lado para se defender do ataque.

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