(SE TIVER ALGUM ERRO OU DETALHE COMENTE QUE EU ARRUMO- Complicado escrever cenas tão intensas assim- para quem está no grupo no wp fica por dentro antes, quem quiser entrar tbm comentar que quer.)
POV: DOMINIC FERRARO
O gongo ecoou pela La Inferno, decretando o fim do primeiro round. O som industrial trouxe um breve segundo de trégua para os nossos corpos dilacerados. Caminhei cambaleando até o nosso canto do ringue, com o peito subindo e descendo em espasmos dolorosos enquanto o Canário desabava em um banco de ferro, arrastando a perna machucada. O regulamento do Conclave permitia três rounds, com um intervalo de um minuto entre os dois primeiros, sendo o terceiro round uma disputa sem limites de tempo onde venceria o melhor.
A corda do ringue foi empurrada para o lado e o Lorenzo invadiu o tatame junto com a equipe médica da Sicília. O semblante do meu irmão era puro desespero contido. Ele ignorou os paramédicos, arrancou um grampeador cirúrgico da bandeja de metal e segurou o meu queixo com uma força absurda, me forçando a encará-lo. O corte no meu supercílio tinha aberto por completo, vertendo uma enxurrada de sangue que cegava o meu olho esquerdo.
— Foca em mim, porra! — o Lorenzo esbravejou, aproximando o aparelho da minha pele.
O som metálico do grampeador estalou três vezes contra a minha testa, prendendo a carne rasgada na marra. A dor do metal perfurando o osso foi um choque elétrico que limpou a névoa da minha mente. Prendi o grito na garganta, trincando os dentes até a minha mandíbula estalar, enquanto o Lorenzo limpava o excesso de sangue do meu rosto com uma toalha limpa.
— Eles ainda estão em vantagem lá do outro lado — Lorenzo sibilou, colando a testa na minha, a voz trêmula de aflição. — O Marx e o Dorian mandaram os soldados para o sacrifício para te esgotar. Eles ainda estão em três em campo.
— Eu sei, eu preciso ganhar — respondi, a voz saindo em um fio rascante.
— Você tem que ganhar essa porra, Dominic. Você tem que ganhar! Entendeu?
Não respondi. Apenas virei os olhos bicolores na direção da raia inimiga. Olhei para o lado e vi o Canário limpando o suor com dificuldade. Ele tinha apanhado demais para me ajudar. Se continuássemos naquele ritmo tático de desgaste, nós seríamos fatiados antes do terceiro round. Eu precisava passar por cima deles.
O aviso ecoou. O Lorenzo apertou o meu ombro com força e saltou para fora do ringue, retornando para o lado de fora da arena ao lado de Killian. O Ethan estava na cabine de comando improvisada, instalada na passarela elevada do segundo andar. Endireitei a minha postura e encarei o Canário.
— Vamos acabar com essa palhaçada agora — ordenei, a voz saindo rouca pelo sangue na garganta.
O gongo bateu, dando início ao segundo round.
Não esperei o avanço deles. Joguei toda a minha massa corporal para a frente, correndo contra o soldado da Cosa Nostra com a velocidade de um predador faminto. O romano tentou erguer os braços para armar a guarda, mas eu me abaixei por baixo do raio de ação dele e desferi uma joelhada com total brutalidade direto no peito e depois no estômago do infeliz. O impacto quebrou o esterno do homem com um estalo abafado. Antes que ele pudesse dobrar o corpo de dor, agarrei a nuca dele com as duas mãos, puxei a sua cabeça para baixo e desferi três joelhadas consecutivas e violentas bem no centro do seu rosto.
O osso nasal dele se desfez sob o impacto da minha patela. O soldado desabou completamente morto ou em uma convulsão fatal no chão do tatame, com o corpo tremendo em espasmos contra o emborrachado.
— Isso, chefe! — o Canário urrou, avançando sozinho contra os líderes inimigos.
O esforço daquela sequência drenou parte das minhas forças e eu caí de quatro no chão do tatame, esgotado, lutando apenas para puxar o ar para os meus pulmões. Eu tentava desesperadamente me levantar, forçando os meus apoios contra o emborrachado, mas as minhas pernas simplesmente não estavam funcionando. O meu corpo não respondia aos meus comandos e eu precisava levantar de qualquer jeito, mas continuava totalmente travado.
Dali do chão, preso de joelhos e buscando o oxigênio, eu assistia ao Canário lutar sozinho contra os dois desgraçados. O Canário tentava furar a guarda do Dorian com sequências rápidas de soco direto e cruzado, enquanto barrava como podia as investidas pesadas do líder de Roma. O som dos impactos de punho contra osso ecoava alto pelo ambiente escuro da boate. O Canário desferia ganchos, esquivas e bloqueios na pancadaria pura, respirando o oxigênio escasso da arena e se desdobrando inteiro para segurar a bronca contra os dois chefes enquanto eu tentava recuperar o controle dos meus membros, até que o gongo industrial ecoou novamente, encerrando o segundo round.
Mais um minuto de intervalo foi concedido para o atendimento. O cansaço agora era um monstro real que tentava fechar as minhas pálpebras. Minhas costelas quebradas queimavam tanto que parecia que havia um maçarico aceso dentro do meu peito. Os médicos mal tiveram tempo de limpar o suor das nossas testas antes que o alarme final tocasse. O terceiro e último round estava valendo.
No segundo em que o combate reiniciou, os dois Capos vieram com tudo na minha direção. Eu tentei me mover, mas o ataque coordenado me atingiu em cheio, descarregando um impacto violento direto contra o meu tronco lesionado. O golpe quebrou a minha resistência de uma vez só e me derrubou no chão com brutalidade, me deixando de joelhos, sem ar e me obrigando a lutar contra o chão para tentar me levantar com extrema dificuldade.
Preso ali embaixo, assisti à covardia se instalar na arena. O Canário tentava lutar e avançar sozinho, mas o Capo da Máfia Azus, Dorian, moveu-se de forma traiçoeira e o pegou por trás, encaixando uma chave de braço violenta e puxando os braços dele para trás para imobilizá-lo por completo.

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