(ME DESCULPEM POR TER MATADO O CANÁRIO. - FOI NECESSÁRIO PARA HISTÓRIA...) No grupo do wap fui até coagida. kkkkkkkkk E acabei me sentido mal perdão. 62-985193544- VENHA CONVERSA COMIGO.)
POV/DOMINIC
Esmurrei o chão de cimento com toda a força que me restava, ignorando os nós dos meus dedos que explodiam em sangue por baixo das bandagens. O impacto seco ecoou pelo galpão, mas a dor física não era nada perto do rasgo violento que se abriu no centro do meu peito. Eu, o homem diagnosticado com psicopatia, o monstro anestesiado que nunca tinha chorado ou sentido a dor da perda, comecei a queimar por dentro. Um urro desesperado, um rugido animal de pura agonia arrancado do fundo do meu coração, rasgou a minha garganta e ecoou pelas paredes de ferro da La Inferno.
Eu estava sangrando, quebrado, mas me arrastei de quatro pelo tatame emborrachado, puxando o meu corpo mutilado até alcançar o cadáver do meu amigo. Toquei o rosto imóvel do Canário com os meus punhos trêmulos, deixando o meu próprio sangue manchar a pele dele.
— Me desculpa... Me desculpa, velho... — sussurrei, a minha voz falhando em um misto de gagueira e falta de ar, enquanto lágrimas inéditas e quentes limpavam a poeira do meu rosto. — Eu devia ter sido mais rápido. Me desculpa.
Acima de mim, uma risada ecoou. O Marx e o Dorian caminharam na minha direção com passos lentos, saboreando o meu declínio. O Capo de Roma limpou o suor da testa e me encarou com um desdém nojento.
— Olha só para o grande imperador da Sicília — o Marx zombou, chutando uma poça de sangue perto do meu joelho. — Chorando que nem uma cadela na lama. Agora a gente vai rir por último, Ferraro. Porque quem ri por último, ri melhor. E você está completamente fodido.
Forcei os meus joelhos contra o chão duro. Testei cada músculo do meu corpo, sentindo os pontos da testa repuxarem e as costelas fraturadas gritarem a cada milímetro de movimento. Respirei fundo, puxando o ar misturado com o cheiro de ferro do ambiente, e olhei para o Canário uma última vez. Com todo o cuidado e respeito que me restavam, empurrei o corpo dele para o lado, deixando-o protegido perto das ferragens do ringue.
Os dois Capos pararam, cruzando os braços, esperando o meu colapso definitivo.
Fechei os meus olhos bicolores por um segundo, mentalizando tudo o que o Canário tinha me ensinado nas rinhas clandestinas quando eu era apenas um garoto de rua. “Se feche na guarda, Dominic. O ódio te mantém de pé quando os ossos cedem.” Abri os olhos e ergui os meus punhos enfaixados, me firmando na posição clássica de boxear.
O gongo não ia tocar. Era uma luta até o fim.
O Marx e o Dorian avançaram juntos na minha direção. A partir daquele milésimo de segundo, o barulho da boate sumiu por completo. Todo o ambiente entrou em um silêncio absoluto e sepulcral. A descarga de adrenalina atingiu o meu sistema nervoso como um raio, e o tempo simplesmente desacelerou ao meu redor. Minha visão, mesmo com o olho esquerdo completamente inchado e fechado pelo sangue da testa, tornou-se cirúrgica. Eu conseguia ver o movimento dos ombros deles antes mesmo de os golpes partirem.
O Dorian desferiu um soco direto na direção da minha têmpora. Agachei o tronco com rapidez, deixando o vento do soco passar raspando pelo meu cabelo, e devolvi um gancho de esquerda na costela dele. O Marx tentou me acertar por trás, mas usei o quadril para girar e desferi um chute frontal que o empurrou três passos para trás.

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