POV/ Dominic
A Rússia era um deserto de gelo e concreto, um lugar onde a brancura da neve cegava tanto quanto o sangue que eu despejei para garantir que o carregamento de armas do Moretti chegasse ao destino. Passei dez dias naquele inferno gelado, conferindo pessoalmente cada container de armamento e, posteriormente, a carga de entorpecentes que chegou via aérea. Eu não permitia erros; cada grama e cada fuzil foram entregues nas mãos dos russos para garantir que nenhum problema respingasse em mim ou no Killian.
Durante esse tempo, estava cercado por mulheres de uma beleza gélida e aristocrática, mas por algum motivo maldito, a imagem de Alessia não saía da minha cabeça. O calor da pele dela e o cheiro de sabonete barato eram fantasmas que me perseguiam em cada esquina de Moscou.
Eu precisava de uma distração. Precisava de purgação antes de colocar os pés na Itália novamente.
Henri, que conhecia bem os bordéis de luxo recomendados por Killian, indicou um lugar onde o prazer era tratado com precisão cirúrgica. Entrei no recinto onde o ar era denso, saturado por uma mistura de perfumes caros, tabaco de narguilé e o cheiro metálico de desejo reprimido. Bailarinas se moviam com uma perfeição mecânica sob luzes vermelhas que banhavam o ambiente em um tom de pecado.
Escolhi uma loira de pele absurdamente pálida e cabelos longos e claros que, sob a luz certa, lembravam o tom lunar que eu mesmo havia mutilado na cabeça da minha prisioneira. Ela era magra e tinha traços que remetiam à Alessia, mas a semelhança terminava ali. Eu usaria aquela mulher para descarregar a adrenalina que estava me matando. Segurei a russa pela cintura, cravando os dedos naquela carne farta e pálida.
— Quarto. Agora — ordenei, minha voz saindo como um rosnado baixo.
Ela sorriu e me guiou para uma das suítes luxuosas. Assim que a porta se fechou, a civilidade morreu. Eu a prensei contra a madeira escura da porta sem qualquer traço de delicadeza. Não a beijei. Sempre achei que sexo era uma descarga de energia; beijos envolvem sentimentos, ou no caso da Alessia, uma vingança que eu ainda estava saboreando.
Rasguei o minúsculo vestido dela com um único puxão; o som da renda partindo foi o primeiro acorde da minha fúria. Eu a levantei, e ela grudou as pernas nas minhas costelas. Prensei-a contra a parede ferozmente, minhas mãos mapeando aquela carne branca enquanto eu lambuzava seu pescoço com mordidas vorazes, sentindo o cheiro do perfume dela se misturar ao suor que começava a brotar.
Joguei-a na cama. Puxei seus seios, mordiscando-os com uma fome que fazia a cabeça do meu membro latejar sob o tecido. Minha visão estava turva. Rasguei a calcinha dela a última peça que me impedia de saciar a fome. Por baixo da seda, ela estava molhada e quente, exalando aquele odor úmido e almiscarado que denunciava sua excitação. Livrei-me das roupas, revelando meu membro rígido, pulsante e marcado por veias.
Ela passou as mãos pelas minhas cicatrizes, mas eu não dei tempo para que ela processasse o mapa de guerra no meu corpo.
Segurei-a pelo cabelo e enfiei meu pau na boca dela. Soquei fundo na garganta, até que o som do seu sufocamento fosse perfeito um engasgo rítmico, úmido e desesperado que era música para os meus ouvidos. Mas a imagem de Alessia, com aquele pescoço cortado e o olhar de desafio, atravessou meus sentidos.
Que merda estava acontecendo?
Afastei-a com um empurrão e a virei de quatro na cama. Coloquei o látex com pressa. A boceta dela estava ali: rosada, aberta e pronta.
— Empina a bunda! — ordenei, desferindo um tapa estalado que deixou a marca vermelha dos meus dedos na pele clara.
Ela obedeceu com um ganido. Me posicionei e soquei fundo nela de uma vez só. O som do impacto da minha pelve contra as nádegas dela ecoou pelo quarto — o som da carne batendo na carne, bruto, seco, feito para a destruição. O grito dela foi abafado pelo travesseiro enquanto eu estocava com uma fúria desumana. Cada estocada era um soco na base da sua coluna, um chiado de atrito que preenchia o silêncio. No meu delírio, eu não via aquela prostituta. Eu via a pele alva da Alessia.

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