Pov/ Dominic
Saí daquele quarto na Rússia com o gosto de cinzas na boca. A futilidade do sexo pago sempre me deixava com uma irritação latente, um vazio que nem o álcool ou o sangue conseguiam preencher. Para mim, as mulheres nunca foram nada além de objetos de uso imediato, recipientes descartáveis para despejar a tensão que meu cérebro moldado pela psicopatia acumulava como veneno.
Elas eram fáceis demais. Suas pernas se abriam antes mesmo de eu ordenar; seus gemidos eram coreografias baratas, sempre os mesmos. Não existe graça em uma vitória onde o adversário se rende antes do primeiro golpe. Quando o prazer vem sem resistência, ele se torna entediante, quase burocrático.
Desde pequeno, eu sempre tive o que quis.
Primeiro, porque a violência era minha língua materna; depois, porque minha aparência os olhos de cores diferentes e o rosto que as mulheres chamavam de "magnífico" atraía as pessoas como mariposas para a chama. Elas vinham querendo o monstro, mas imploravam pelo homem, sem entender que não havia nada por trás da máscara além de gelo.
Como herdeiro dos Ferraro e agora como Capo, o mundo sempre se curvou diante de mim. Se eu desejava algo, eu tomava; se me negavam, eu destruía até que não sobrasse nada além de pó. Mas a submissão espontânea é uma droga de efeito curto. Como um psicopata diagnosticado, meu verdadeiro prazer não está no ato em si, mas na caça. Eu preciso do desafio, da luta, do momento exato em que a presa percebe que não tem saída e, ainda assim, tenta morder minha mão.
Geralmente, as mulheres se transformam em nada assim que eu as toco. Elas perdem o brilho, tornam-se sem graça no momento em que param de lutar.
Exceto ela.
Alessia Lombardi era a única que não recuava um milímetro. A única que preferiu rasgar a própria carne a se tornar uma peça no meu tabuleiro.
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