POV/ Alessia
Dominic pressionou minha cabeça contra o seu peito, cobrindo minha nuca e meu rosto com as mãos para me proteger dos estilhaços que choviam sobre o balcão de mármore. Em meio ao cheiro de poeira e fumaça que começava a subir, senti o perfume dele e, naquela posição, ouvi o som do seu coração batendo descompassado contra o meu ouvido. Era a prova ruidosa de que ele, de fato, tinha um.
Logo em seguida, o som rítmico e aterrorizante de metralhadoras começou. Era como se o salão estivesse sendo mastigado por balas. Dominic me afastou apenas o suficiente para olhar no meu rosto, suas mãos ainda quentes segurando minhas bochechas.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz grave cortando o barulho dos disparos.
— Eu... eu acho que sim... — respondi com a voz falha.
— Vai ficar tudo bem — ele afirmou. Naquele momento, eu não sabia o que estava acontecendo ou se sairíamos vivos dali, mas a segurança que o toque dele passava era quase hipnótica.
Ele me ajudou a sentar no chão frio, atrás da proteção do balcão. Com uma naturalidade assustadora, deslizou as mãos para o cós da calça e sacou a primeira arma. Em um movimento rápido, ele se livrou do paletó azul-marinho e puxou uma segunda pistola, que estava escondida taticamente na base das suas costas. Ele a estendeu para mim. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o metal cair, mas ele fechou meus dedos em volta do cabo, me forçando a segurá-la.
— Pegue caso precise. Mas não use em mim. — ele ordenou, os olhos bicolores fixos nos meus. — Preciso ver se meu irmão está bem. Eu volto por você, ok?
Eu apenas assenti, sem fôlego. Dominic se levantou com cautela, espiando por cima da borda do mármore antes de pular o balcão de volta para o caos. Encolhida ali, eu só conseguia ouvir o som frenético dos disparos e a voz dele ecoando pelo salão em ruínas, chamando por Cassian.
O silêncio que eu conhecia foi estuprado pelo som metálico de centenas de cápsulas atingindo o chão. Levantei a cabeça devagar, sentindo o mármore do balcão ainda vibrando sob minhas palmas, como se o prédio inteiro estivesse tendo um ataque cardíaco. A fumaça baixa e cinzenta serpenteava entre os corpos de homens em ternos caros, e o que antes era um salão de festas agora era um necrotério de luxo.
Olhei para cima. No segundo andar, Killian Moretti corria sob uma chuva de balas, empurrando Heloísa para dentro de uma sala lateral. Ouvi o estalo seco da porta sendo trancada e, sem hesitar um segundo, ele saltou do mezanino. Killian caiu no primeiro andar como um predador, amortecendo o impacto com uma rolagem perfeita. Ele já se levantou empunhando uma metralhadora que parecia brotar do caos. Vi o sangue manchar o ombro dele, um círculo vermelho crescendo no tecido, mas ele sequer piscou; apenas começou a varrer o salão com fogo cerrado. Ao lado, Ethan se movia com uma elegância letal, atirando com precisão cirúrgica para garantir que ninguém chegasse perto da porta onde a esposa do primo estava escondida.
Meus olhos buscaram os Ferraro. Dominic era um borrão de fúria no centro do salão. Ele não estava apenas atirando; estava em uma luta corporal brutal contra dois homens maiores que ele. Vi o momento em que ele desarmou um deles e usou o próprio corpo do sujeito como escudo humano enquanto descarregava a pistola no outro. Ele era bom de briga. Cruel. Eficiente. Mais afastado, perto da ala do Conselho, Lorenzo lutava com uma frieza que me deu calafrios, eliminando alvos um a um enquanto avançava obstinadamente para a sala onde meu pai e os "velhos" estavam trancados.
Cassian. Meu coração deu um solavanco. Ele estava encolhido atrás de um sofá de veludo destroçado, as mãos pequenas apertando os ouvidos com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. O rosto dele estava lívido, os olhos fechados como se pudesse apagar a realidade. Ele estava paralisado. Gritei o nome dele, mas minha voz foi engolida pelo estrondo de uma granada de efeito moral que fez meus dentes vibrarem.
Eu tinha que sair dali. Não podia esperar que um dos monstros me resgatasse.

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