( É um outro cap. maior, porque é mais intelectual e uma história que a gente já conhece sobre o passado dos Ferraro mais a Alessia não, então..... Desfrutem...) E avaliem a obra por favor e comente se estão gostando. POR FAVOR.... Eu prometo postar todos os dias. ;)
POV/ ALESSIA
— Ficou louca? — o homem ao lado dele disse, em choque. — Ah, sua piranha... eu vou te matar — o atendente sibilou com a voz rouca, a mão na garganta atingida.
Logo a confusão escalou em segundos. Seguranças do shopping vieram correndo, e um deles, um brutamontes que parecia querer mostrar serviço, me agarrou pelos ombros e me jogou no chão com força excessiva. Caí de forma desajeitada, sentindo o vestido branco subir até o umbigo, expondo minha calcinha rosa e minhas pernas. Eu me debati, tentando me levantar, enquanto o segurança me prensava no chão com o joelho cravado em cima da minha barriga.
— Alessia! — Canário disse, tentando chegar em mim e empurrando um segurança para o lado.
— Nossa, mas você é gostosa, hein? — o homem nojento murmurou perto do meu ouvido, enquanto subia a mão para minha coxa.
Tentei me debater, mas ele era pesado e forte demais. Um tiro para cima silenciou a confusão e pude ouvir o clique metálico de uma arma sendo engatilhada. Canário estava com o cano da pistola pressionado contra a têmpora do segurança.
— Solte ela. Agora. — Mas o que é que tem? — o segurança gaguejou, pálido. — É só uma vadia...
Me debati tentando tirar a mão dele da minha coxa e cuspi na cara dele. Em resposta, ele me pressionou com mais força, o joelho afundando no meu estômago que ainda estava dolorido pelo chute do Dom. Perdi o fôlego por um segundo, a dor latejando onde o "Capeta" já tinha deixado sua marca.
— E se você não quiser que eu espalhe seu cérebro por essa vitrine, é melhor tirar as mãos dela — Canário sibilou. — Ela é exclusiva do Dominic agora.
O homem me soltou como se eu fosse feita de brasa. Levantei-me com a ajuda do Canário, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas de ódio. Notei duas pessoas da porta filmando a cena com um celular. Canário não hesitou; caminhou até um dos indivíduos, tomou o aparelho e apagou o vídeo enquanto o outro correu.
Ótimo. Nem saí de casa direito e já arrumei confusão. Ferraro vai querer me por em uma gaiola agora.
— Preste atenção — Canário disse, voltando-se para o homem que descobri ser o gerente da loja. Ele ainda alisava a garganta, que já estava ficando vermelha pelo meu golpe. — Ela não é uma prostituta. Ela é uma convidada de extrema importância da Fratellanza. Se você preza pela sua vida e por este estabelecimento, trate-a com a cordialidade que o sobrenome Ferraro exige.
Ele guardou a arma no coldre oculto, mas o aviso ficou pairando no ar.
— Caso contrário, o "Capeta" virá pessoalmente resolver a falta de educação de vocês. E ele não costuma ser cordial quando está bravo.
Canário pegou o cartão que tinha caído no chão e pagou as contas sem dizer mais nenhuma palavra. Fiquei esperando afastada da porta quando senti o hálito quente do segurança brutamontes perto do meu ouvido.
— Eu marquei você — ele sibilou, baixo o suficiente para que apenas eu ouvisse. — Se eu te encontrar de novo, eu te mato.
Não recuei. Encarei os olhos dele com toda a fúria que os Lombardi me deram e ergui o dedo do meio, sustentando o gesto até cruzar a porta.
— Algum problema, senhorita? — Canário perguntou, já com a mão no coldre da cintura.
— Não, só um inseto irritante que estava zunindo no meu ouvido.
Caminhamos pelo shopping e minha compulsão por açúcar falou mais alto. Comprei um sorvete enorme e uma quantidade obscena de barras de chocolate. Canário me observava de soslaio, um sorriso contido brincando nos cantos da boca enquanto eu devorava o sorvete como se fosse minha última refeição.
— Não ri — resmunguei, limpando o canto da boca. — É biológico.
— Eu não disse nada — ele se defendeu, mas o brilho divertido continuou lá.
— Qual era o nome da sua irmã? — perguntei, mudando de assunto para afastar o peso da minha própria instabilidade.
— Luara. Ela trabalha lá no L'Inferno. Fomos os primeiros a começar a servir o Dominic. Eu os salvei quando os irmãos ainda éramos pequenos.
A curiosidade, alimentada pelo açúcar e pela melancolia da TPM, venceu minha cautela. Eu sabia que meu pai era um monstro, mas precisava entender a profundidade da ferida que ele deixou no homem que agora me mantinha presa.
Saímos da sorveteria e começamos a caminhar em direção ao carro.

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