POV/ ALESSIA
Limpei o suor da testa e do pescoço, sentindo o sangue pulsar nas minhas têmporas. A adrenalina do treino ainda estava lá, misturada com o efeito da presença dele. Tentei ser o mais firme que consegui.
— E desde quando você manda em quem fala comigo? — desafiei, cruzando os braços sobre o peito, tentando sustentar o olhar.
Ele se virou para mim e soltou o Pitbull, que caiu agachado no chão segurando a mão. Dom estava com os olhos faiscando. Ele deu um passo, diminuindo a distância até que seu peito roçasse na minha cara. Tive que erguer a cabeça; ele parecia uma parede de puro músculo, de tão alto que era. Dominic segurou meu braço com força, me puxando ainda mais para perto. O perfume dele invadiu minhas narinas e senti minha calcinha umedecer na mesma hora.
Meu corpo é um Traidor.
— Desde quando você é minha prisioneira, Alessia. Eu mando em tudo o que te envolve.
— Ah, entendi — debochei. — É agora que eu devo começar a gritar por socorro ou implorar por perdão? — Sorri de lado, de forma cínica, e comecei a berrar a plenos pulmões: — SOCORRO! SOCO...
Em um movimento rápido, a mão dele cobriu minha boca, abafando minhas palavras. Seus olhos esquadrinharam meu rosto, possessivos e letais.
— Que sutil — murmurei contra a palma da mão dele, minha voz saindo abafada e quente. — Da última vez, você preferiu me beijar.
Ele estreitou os olhos, soltou minha boca e me agarrou pelo pulso, me arrastando para fora da academia. Eu tropecei, tentando acompanhar os passos largos e pesados dele.
— Desculpa pelo treino, Pitbull! — gritei por cima do ombro enquanto era arrastada para fora do estabelecimento.
Dominic me arrastou até próximo do carro, ignorando os olhares curiosos que nos observavam. Ele parou de repente e se virou, me encarando com uma intensidade que quase me fazia perder o equilíbrio.
— O que você pensa que está pensando, Alessia? O que se passa nessa sua cabeça? — ele tocou minha cabeça com o dedo indicar.
— Eu preciso das minhas sacolas, esqueci lá dentro! — disse, ignorando a pergunta dele. Se eu falasse o que estava pensando, ele me internava ou me sei lá o que faria aqui mesmo.
Ele apontou para um dos homens da guarda dele que estava perto da porta.
— Vá buscar.
Seus olhos voltaram para mim. Puxei meu braço de seu aperto e cruzei-os na altura do peito, tentando recuperar algum controle.
— Não me olhe assim — exigi.
— Você quer que eu te olhe como, afinal?
— Sei lá... não me olhe assim e também não me olhe como olha para aquelas prostitutas que estavam no seu colo.
Ele franziu a testa, como se eu estivesse falando grego.

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