POV: ALESSIA LOMBARDI
Dominic percebeu meu recuo. Ele colocou a mão pesada no meu ombro, me mantendo presa no lugar.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz saindo como um rosnado baixo.
Seus olhos heterocrômicos me escanearam de cima a baixo. Com os dedos, ele inclinou meu rosto para verificar se eu realmente não tinha sofrido nenhum dano físico. Ele olhava cada centímetro com uma atenção que me surpreendeu. Eu esperava um grito ou um xingamento, mas ele estava apenas conferindo se eu estava inteira.
— Estou... estou bem — respondi, tentando recuperar o fôlego.
— Eu vou matar aquele desgraçado — ele sentenciou com uma calma gélida, referindo-se ao segurança do shopping.
— Dominic, não precisa... não precisa matar ninguém — murmurei, sentindo o peso daquela promessa de sangue. — Foi apenas um mal-entendido. Talvez porque o atendente achou estranho você me dar seu cartão, já que me disseram que você não costuma ser tão generoso com suas prostitutas.
Ele parou o que estava fazendo e coçou a cabeça com um ar de impaciência. Ficou me encarando por um tempo, o olhar profundo e difícil de ler.
— Você não é uma prostituta, Alessia — ele afirmou, a voz plana.
— Mas eu também não sou sua convidada — rebati, sustentando o olhar dele.
Eu esperava que ele dissesse algo, que explicasse o que eu estava fazendo ali além de ser um trunfo, mas ele simplesmente não disse nada. Ele ignorou minha provocação, como sempre faz quando a situação exige uma resposta. Dominic me deixou sozinha, encostada no carro, e foi conversar com o Canário e os outros seguranças um pouco mais afastado.
Lá estava ele de novo. Fugindo para o silêncio e me deixando com a cabeça explodindo de perguntas sem resposta. Droga.
Depois de alguns minutos, ele voltou.
— Entre no carro. Agora — ele ordenou, abrindo a porta.
Dominic sentou-se no banco da frente, exalando uma tensão que preenchia todo o veículo. Eu me acomodei no banco de trás e um segurança que eu não conhecia assumiu o volante. Encostei a cabeça no vidro enquanto enrolava a barra do meu vestido nos dedos. A ansiedade estava me corroendo.
Eu vi quando ele me olhou pelo retrovisor, mas assim que o encarei de volta, ele desviou o olhar para a estrada. Notei que o motorista também tentava me espiar pelo espelho, mas a reação do Dominic foi instantânea.
— Olhe para frente, só para frente se não quiser morrer — ele disse ao homem. O tom era quase um sussurro, mas foi o suficiente para o motorista travar a postura e não desviar os olhos do asfalto nem por um segundo.
Quando chegamos ao aeroporto, tentei sair do carro rápido, mas o degrau do helicóptero era alto demais para aquele vestido justo. Senti as mãos dele na minha cintura, me erguendo do chão com facilidade para me colocar lá dentro. Enquanto eu subia de costas para ele, senti Dominic puxando a barra do meu vestido para baixo, cobrindo minha bunda com um puxão firme.
— Olhem para o outro lado — ele ordenou ao piloto e aos seguranças que vinham atrás.
O trajeto até a mansão foi um deserto de palavras, apenas o som ensurdecedor das hélices. Olhei pela janela e vi a cachoeira novamente; ela era linda, uma queda d'água enorme que parecia o único lugar calmo naquele inferno.

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