( Um cap. maior porque é de transição.) Desfrutem e deixe o like e a avaliação.
POV: DOMINIC FERRARO
Antes de mergulhar no inferno dos negócios, em pleno domingo eu precisava ver o garoto. Caminhei até o quarto de Cassian e bati na porta. Ao entrar, o vi cercado por livros e desenhos, uma bolha de inocência que eu me esforçava para manter intacta em meio ao sangue que cercava nossa família.
— Como você está, pequeno? — perguntei, sentando-se na beira da cama.
— Estou bem, Dom. Só estudando — ele sorriu, fechando um dos livros.
Pousei a mão no ombro dele, sentindo o peso da responsabilidade. Cassian não era meu sangue, mas era meu irmão, e eu morreria por ele sem hesitar. No que dependesse de mim e do Lorenzo, ele nunca saberia que não carregava o sangue dos Ferraro nas veias. Ele era nosso, e isso bastava.
— Escute bem. Eu vou para a rua resolver umas coisas — comecei mantendo a voz firme. — Mas quero que saiba que, aconteça o que acontecer, eu sempre vou proteger você. Pode contar comigo para qualquer coisa, entendeu? Sempre. Você sabe que não sou muito bom com palavras.
— Eu sei, Dom — ele assentiu, os olhos atentos. — Quando o Lorenzo volta?
— Não tenho certeza, mas acredito que em alguns dias. Você vai ficar bem até lá?
— Vou, mas só se...
— Só se o quê? Quer dirigir de novo? Aprender a lutar? Beber? — tentei adivinhar, já prevendo o sermão que teria que dar.
— Não. Só se você me comprar sorvete. Muito sorvete — ele sorriu, com a audácia que só uma criança protegida tem.
Deixei um sorriso raro escapar e baguncei os cabelos dele. Dei um tapinha leve no seu ombro.
— Vou mandar trazer para você. E dívida com a nossa prisioneira — ordenei, tentando mascarar o fato de que eu também estava pensando no bem-estar da Alessia.
Ele assentiu, confiante na minha promessa. Saí do quarto e encontrei um dos seguranças no corredor.
— Você vem comigo — disse ao homem, enquanto caminhávamos para a saída. — Assim que chegarmos à cidade, providencie sorvete. Do melhor que encontrar e de vários sabores. E traga a dona Olga para limpar a mansão e organizar a lista de compras. Esta está precisando de suprimentos.
O segurança apenas assentiu, sem questionar por que o "Capeta" estava preocupado com sorvete e listas de mercado.
***
Horas depois, eu estava no galpão central. O cheiro de pólvora e solvente químico impregnava o ar. Moretti controlava a produção; as fábricas de drogas e as linhas de montagem de armas. Meu trabalho era a distribuição e a força. Nós éramos o atacado; as outras organizações compravam de nós para revender nos distritos.
Reuni os líderes de cada setor, os distribuidores e os policiais comprados que garantiam o livre caminho dos comboios.
— Teremos um Conclave que está marcado para o dia 30, enfrentaremos outras organizações será uma disputa por território e poder — anunciei. Minha voz ecoou pelo concreto frio. — Vou abrir a academia da mansão para o treinamento. Quero os melhores. Quem quiser representar a marca Ferrar, o treino começa agora.
Caminhei entre eles. O silêncio era absoluto.
— Alguém pode lutar por você, Capo — um dos veteranos sugeriu, num tom de respeito. — Não precisa se arriscar.
— Eu sou o líder. Líderes dão o exemplo no ringue, não apenas ordens atrás de uma mesa — respondi seco. — Teremos corridas de carro e lutas na gaiola. Eu estarei lá.
Fiz uma pausa, deixando o peso das palavras se assentar.
— Quero vigilância total a partir de hoje. Mandem homens para Palermo e reforcem as fronteiras. O mundo é sujo e nossos rivais sabem que o Conclave atrai olhares. Eles vão tentar nos enfraquecer antes do dia 30. Quero toque de recolher nos distritos. Cuidem das suas famílias; se vocês se desconcentrarem por problemas em casa, eu perco soldados no campo. Não permitirei erros. O perigo de uma invasão à nossa propriedade é real, e eu quero todos os olhos abertos.
Olhei nos olhos de cada homem ali.
— Se alguém procurar vocês com promessas de ouro, lembrem-se: eu pago o dobro pela fidelidade. Eu não compro apenas o seu trabalho, eu compro a sua alma. E se eu descobrir uma gota de traição... — Não precisei terminar. O estalo do meu coldre ao me virar foi o suficiente.

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