( Um cap. maior porque é recontagem de fatos mas pela perspectiva dele..)
POV: DOMINIC FERRARO
Sentei-me na poltrona na mesa do canto, o lugar estratégico de onde eu conseguia visualizar cada centímetro da boate, do ringue de luta e da academia. O movimento estava fraco em plena segunda feira horário de almoço. Algumas mulheres da casa se aproximaram, tentando me distrair. Eram gostosas, profissionais, sabiam exatamente o que fazer. Juliana se sentou no meu colo e começou a beijar meu pescoço, enquanto Ana servia meu uísque.
Mas meu corpo não reagiu. Pela primeira vez na vida, eu estava com mulheres perfeitamente dispostas e meu pau não endureceu. Estava morto. O peso da notícia sobre a lista de alvos tinha me deixado anêmico de desejo por qualquer coisa que não fosse sangue.
— Não vai rolar hoje, garotas — murmurei, afastando-as gentilmente. — Só fiquem aqui. Me façam companhia.
Eu as usei como escudo, apenas para não ter que pensar. Enquanto elas conversavam entre si e me faziam massagem, dei instruções a Luara, a gerente, sobre o Conclave. Expliquei que a sutileza era a chave para extrair informações dos clientes de alto escalão e que, nos próximos dias, a boate estaria lotada. Ordenei que servissem bem os meus lutadores; eles precisavam estar prontos para o abate.
Meu celular tocou. Era o Canário.
— Capo? A Alessia... ela está muito estressada. Diz que precisa comprar umas coisas de mulher.
— Ela é doida, Canário — respondi, tentando manter a voz firme, mas senti um aperto estranho no peito ao ouvi-lo dizer que ela estava mal. A lista de 3 bilhões martelava na minha cabeça. — Tudo bem. Leve-a. Pegue um dos meus cartões e deixe que ela compre o que quiser. Fique de olho nela. Quando terminarem, deixe-a aqui no bar.
Desliguei e o tempo pareceu rastejar. A cada pessoa que passava pela porta, meu pescoço virava instintivamente, achando que era ela. Eu estava esperando por ela como um idiota espera por um milagre. Pela primeira vez em anos, senti medo. E o que mais me aterrorizava era não entender por que o destino de uma Lombardi me importava tanto. Por que eu queria queimar o mundo por causa do nome dela naquela lista imunda?
Quando Alessia finalmente cruzou a porta, o ar pareceu sumir dos meus pulmões por um segundo.
Maldição. Ela estava usando um vestido branco florido que mal cobria o necessário. As pernas dela eram grossas, a pele impecável, e o leve decote mostrava o início da curva dos seios que eu tinha visto no meu sonho horas atrás. Ela caminhou até mim, cruzando os braços e de queixo erguido, exalando um mau humor que a deixava absurdamente gostosa. Tinha uma barra de chocolate na mão, como se estivesse em um piquenique e não no covil do demônio. Caralho, que mulher gostosa.
Senti uma onda de raiva me atingir. Ela era inconsequente. Qualquer brisa ali dentro mostraria a calcinha dela para o mundo inteiro. Eu queria cobri-la, escondê-la de qualquer olhar faminto, mas me forcei a manter a máscara de descaso.
— Olá — eu disse, deixando minha voz sair rouca, lutando contra o calor que subiu pelo meu corpo e se concentrou com força na cabeça do meu pau. O efeito foi instantâneo. Bastou ela aparecer para o meu sistema religar com uma voltagem perigosa.
Ela me respondeu seca, fuzilando Juliana e Ana com o olhar. Alessia tentava disfarçar, mas eu via a pele dela arrepiar sob o meu escrutínio. Afastei as mulheres do meu colo com um toque. Eu não queria mais ninguém ali, só ela. Mas Alessia era um caso perdido; deu as costas e foi para o balcão.
Vi quando ela começou a conversar com Siena e Luara. Siena era provavelmente a menos "suja" de todo aquele ambiente, e vê-las juntas me acalmou por um momento. Mas aí o álcool começou a descer. Vi Alessia virar shots de grappa como se estivesse tentando apagar um incêndio interno.
— Essa garota é louca — resmunguei para mim mesmo.
Quando ela se levantou e foi para a academia ao lado do ringue, meu sangue gelou. Ela começou a golpear o saco de pancadas com a técnica que eu mesmo tinha ensinado, mas então começou a chutar o saco... de vestido. A academia estava vazia, graças a Deus, mas os movimentos dela faziam o tecido branco subir perigosamente. Eu queria arrastá-la dali, mas algo me prendeu na poltrona. Eu queria ver até onde ela iria. Mandei um sinal para os meus homens: fiquem longe, deixem-na em paz. Eu não queria ninguém olhando para o que era meu.
Mas o destino gosta de me testar. Vi quando o Pitbull se aproximou. Luara tentou avisar que não era para ir lá, mas o idiota estava cego pela testosterona e pareceu não ouvir. Alessia, em vez de recuar, aceitou o desafio. Ela olhou diretamente nos meus olhos enquanto o cara chegava perto. Ela queria que eu assistisse. Queria me provocar.
Filha da puta gostosa.
Minha visão embaçou quando vi a mão daquele infeliz no vestido dela. Percebi as segundas intenções, os dedos enganchando na barra do tecido branco. Alessia estava deixando o cara chegar perto demais, e o processo de ódio que tomou conta de mim foi avassalador.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE