POV: DOMINIC FERRARO
Alessia subiu as escadas e o som da porta batendo ecoou no meu peito como um tiro. Fiquei no hall, cercado pelo silêncio daquela mansão que, de repente, parecia grande demais. Eu tinha dito as palavras certas para um Capo, mas o homem dentro de mim sentia como se tivesse acabado de engolir vidro moído.
Dormi quase nada. As palavras de Lorenzo sobre a "lista"e o "leilão" ficaram ecoando na minha mente como um disco riscado e maldito. Pesquisei na internet coisas relacionadas e cada imagem que eu via, imaginava Alessia. Cada vez que eu fechava os olhos, via o rosto dela enquanto ela era subjugada, apalpada, estrupada por mãos imundas. Acordei antes do sol, com o corpo gritando por morte.
Na manhã de terça feira Lorenzo finalmente cruzou o portão. Ele trazia o cansaço da Itália nos ombros, mas os olhos estavam alertas. Sentamos no meu escritório, o cheiro de uísque e charuto preenchendo o ar.
— Moretti foi embora para o Brasil — Lorenzo começou, servindo-se de uma dose. — Ele vai casar, ter a lua de mel e depois volta para a operação. O Conclave está marcado para o dia 30. Eu vou lutar, Dominic, e nem pense o contrário.
— Não. Você não vai — respondi de imediato. — Eu não vou colocar você naquele ringue.
— E quem vai? Você? — ele desafiou.
— Eu sou o Capo. Eu luto minhas próprias batalhas.
— Então eu vou com você. Vamos treinar juntos. Ninguém aqui é mais forte que você, e ninguém é mais rápido que eu. Se querem a nossa queda, vão ter que passar por cima de uma pilha de corpos.
— Você pode me ajudar a treinar, mas não vai lutar. E eu estou falando isso como seu Capo e, principalmente, como seu irmão mais velho. Caso aconteça algo, você precisa estar inteiro para assumir a organização.
— Está dizendo que vai perder?
— Não viaja. Eu não nadei tanto para morrer na praia.
Assenti. Começamos a traçar o planejamento. O treino dos soldados seria intensificado a partir de amanhã. Estávamos prevendo um possível ataque armado — Bratva, Massium ou outros clãs que tentassem nos fragilizar antes do Conclave. Invasões eram esperadas. A fazenda era o nosso refúgio, mas a cidade seria um campo de caça.
Lorenzo deixou o copo de lado e se inclinou para frente. O semblante dele mudou para algo sombrio.
— Precisamos falar sobre a garota. Sobre a Alessia.
Meu corpo tencionou instantaneamente. O nome dela na boca dele parecia uma sentença.
— O nome dela está no topo da lista, Dominic. No mercado clandestino ela é tratada como "Espécie Rara". Estão falando dela como se fosse um animal de circo.

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