POV: DOMINIC FERRARO
A primeira semana foi um borrão de pólvora e suor. Enquanto Lorenzo estava na mansão transformando a "Princesa Lombardi" em algo que pudesse sobreviver, eu estava no campo. O treinamento dos homens foi impiedoso. Chutes laterais, luta corpo a corpo com facas, simulações de emboscada sob chuva e sol. Eu não queria soldados; eu queria literalmente máquinas de matar.
Mas algo estava errado. Eu sentia o peso de um olhar nas minhas costas.
— Tem alguém na nossa cola, Capo — Canário sussurrou enquanto inspecionávamos uma carga de fuzis na fronteira. — Carros diferentes, mas o mesmo padrão de perseguição. Estão mapeando suas rotas.
— Eu percebi — respondi, sentindo o sangue ferver. — Eles acham que sou um alvo fácil porque estou "distraído". Vamos dar a eles o que querem.
O boato nas ruas era de que os remanescentes da máfia Azus a gangue do infeliz que eu apaguei no casamento por chamar a Alessia de cadela estavam se movimentando. Eles queriam vingança pelo líder e, acima de tudo, nos enfraquecer antes do Conclave.
No quinto dia daquela semana, resolvi que era hora de caçar.
Saí sozinho com um carro comum, deixando que a isca fosse mordida. Dois SUVs pretos começaram a me seguir pelas estradas sinuosas que levavam aos pés do Etna. Quando a estrada ficou deserta o suficiente, pisei no freio e fiz o carro girar em um cavalo de pau, bloqueando a passagem.
O tiroteio começou antes mesmo de eu abrir a porta.
As balas estilhaçaram o meu para-brisa, mas eu já estava no chão, rolando e sacando as minhas automáticas. O som das detonações era música para os meus ouvidos. Matei os dois primeiros que desceram do carro com tiros precisos no peito. Corri para a cobertura de uma rocha, sentindo a adrenalina queimar qualquer rastro do desejo que Alessia tinha deixado em mim. Naquele momento, eu era apenas o Capeta.
— Venham! — gritei, a voz ecoando contra a montanha. — Venham ver como um Ferraro mata!
Houve um cerco. Eles tentaram me flanquear, mas eu conhecia aquele terreno melhor que a palma da minha mão. Usei uma granada de efeito moral para desorientá-los e avancei como um lobo. Quando terminei, havia seis corpos no chão. Mas deixei um vivo: o motorista do segundo carro.
Eu o arrastei para um galpão abandonado ali perto. Ele estava com a perna estraçalhada e chorava como uma criança.
— Quem mandou você? — perguntei, preparando o alicate.
— A... a aliança do norte... os Azus... eles querem a garota! — ele soluçou, o terror transbordando pelos olhos. — Avistaram algo sobre ela em um site e emitiram até panfletos do rosto dela. Querem a "Prateada" para o leilão! Juro que é só isso que eu sei.
A cada palavra que saiu da boca dele, eu descontei em seu crânio depois. A raiva por ter que devolvê-la. A raiva por ela me fazer sentir fraco. A raiva por saber que o mundo queria devorá-la. Eu o torturei por horas. Quebrei cada osso que ele possuía, ouvindo os segredos da invasão planejada. Eles pretendiam me atacar antes do Conclave. Queriam me seguir para descobrir onde eu morava. Por isso decidir não voltar antes, apenas quando for assumir o treino dela. Até lá teria tempo de reforçar a segurança do local.
Terminei o serviço com um tiro na testa dele quando não havia mais nada para extrair. Limpei o sangue do meu rosto, sentindo o vazio retornar.
Sete dias. Foram sete dias sem ouvir a voz dela, sem sentir o cheiro de rosas e jasmim que impregnava meus sentidos. Eu fiquei na Sicília, mergulhado em sangue, pólvora e treinamentos exaustivos, tentando usar a violência para arrancar Alessia da minha mente. Mas eu era um viciado em abstinência. Mesmo longe, eu a vigiava pelas câmaras da mansão; pedi para instalarem uma no seu próprio quarto só para poder vê-la dormir. Eu a observava conversar com Cassian, via os relatórios secos do Lorenzo. Eu estava longe mais estava tão perto.
No final daquela semana, finalmente voltei para casa. O sol estava se pondo, tingindo a Sicília de um vermelho visceral que parecia prever o massacre que viria. Entrei na mansão e meu coração disparou de um jeito que eu nunca tinha sentido. Se eu não me conhecesse, se não soubesse que sou uma máquina de guerra, acharia que estava tendo um ataque cardíaco. O pulso martelava na garganta, ruidoso e desgovernado.
Fui direto para a área de treino.
Lorenzo estava lá. Alessia estava no centro do tatame, descabelada, com hematomas arroxeados nos braços e o rosto sujo de suor. Mas os olhos... os olhos dela estavam diferentes.
— Ela aprende rápido — Lorenzo comentou, aproximando-se com uma toalha no ombro e o semblante satisfeito. — Já sabe desarmar um homem com o dobro do tamanho dela. Mas está exausta.

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