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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 77

POV: ALESSIA LOMBARDI

Bati a porta do quarto com força e, com ela, o último resto de sanidade que eu ainda tentava manter. O som ecoou pelo corredor vazio da mansão como um tiro de misericórdia, selando a distância que Dominic acabou de impor entre nós. "Um erro", ele disse. "Uma fraqueza que não se repetiria".

Caminhei até o meu quarto como um fantasma, sentindo o peso do vestido branco florido; o tirei e entrei debaixo do chuveiro frio, deixando a água lavar o suor, poeira e a decepção. Mas mesmo assim, nada conseguia lavar a sensação dos lábios dele nos meus. Foi bruto, foi possessivo... e foi a mentira mais bonita que já me contaram.

Passei aquela noite em claro, encarando o teto enquanto o peito apertava tanto que eu mal conseguia respirar. Eu o odiava. Odiava o modo como ele me olhava, como se eu fosse sua propriedade privada, e odiava ainda mais o modo como meu corpo traidor respondia ao toque dele. Eu achava que, talvez, existisse um homem de verdade debaixo daquela armadura de "Capeta". Mas ele deixou claro: eu era um brinquedo. Uma ferramenta. E nada além disso.

Na quarta-feira, às 08:00 da manhã, eu esperava o Canário. Esperava a rotina de sempre. Mas quando a porta se abriu, foi a figura alta, gélida e sombria de Lorenzo que apareceu. O meu estômago revirou instantaneamente. A última vez que estivemos frente a frente, ele estava pronto para me apagar deste mundo. Ele não pediu desculpas. Não houve remorso nos olhos dele quando me analisou de cima a baixo com um desprezo profissional.

— Você está fisicamente bem?

Eu não o provoquei. Além de estar com a garganta travada de tristeza, eu ainda tinha medo dele. Lorenzo era a lâmina silenciosa, enquanto Dominic era a explosão.

— Onde está o outro carcereiro? — minha voz saiu falha, quase um sussurro.

— Nesta semana, só existe eu — Lorenzo respondeu, seco. — Dominic está cuidando de assuntos na Sicília. Eu vou assumir seu treinamento a partir de agora.

Ele me levou para o pátio sob um sol que parecia zombar da minha desgraça. Mandou que eu tirasse os tênis e sentisse o chão áspero.

— Você não vai correr hoje, Lombardi. Vai aprender a cair, a levantar e a quebrar ossos. Se for para ser devolvida, que seja armada.

Eu não entendia isso. Me sequestraram, me alimentam e me treinaram? Coisa de maluco isso.

O treinamento de Lorenzo foi um inferno particular. Ele não teve piedade. Se Dominic era intenso e passional, Lorenzo era técnico, frio e cruel. Ele me explicava a base de luta, como usar o centro de gravidade, como chutar para incapacitar permanentemente. Ele me fez tentar derrubá-lo centenas de vezes. Sem sucesso, e eu caía no tatame todas as vezes. Tentei desviar dos seus golpes repetidamente sem sucesso e, em outras várias vezes, caí sentindo o impacto do meu corpo contra o chão; algumas vezes caía de cara, e isso fazia meus dentes estalarem e o fôlego fugir dos pulmões. Minha pele começou a ser tingida de roxo e verde, marcas de guerra que eu escondia sob as roupas.

— De novo — ele ordenava, sem nunca estender a mão para me ajudar a levantar.

Descontar a fúria no treino foi minha única salvação. Lorenzo trouxe soldados da casa para que eu praticasse. Eu nunca consegui derrubar Lorenzo ele era uma parede de músculos e reflexos impossíveis, mas nos soldados eu consegui derrubar alguns. Eu os acertava com cada grama da frustração que estava entalada na minha alma.

E mesmo após o treino físico, ele me fazia socar os sacos de pancada. Eu mordia os lábios para não chorar de dor, enquanto os nós dos dedos ardiam. E eu entendi, naquele momento, que mesmo Dominic sendo quem é, ele pegava leve comigo. Talvez ele se importasse comigo. E olha lá a minha mente de novo pensando nele. Droga!

As noites eram o pior momento. Eu voltava para o quarto moída, cada fibra muscular do meu corpo gritando em protesto. No banho, eu finalmente me permitia quebrar. O choro vinha pesado, misturado com a água morna, enquanto eu massageava os hematomas. Eu me sentia sozinha. Abandonada por um homem que fingiu me querer apenas para reafirmar seu poder.

A única companhia que eu tinha às vezes era a de Cassian. Ele vinha me ver às vezes no jardim, trazendo um pouco de chocolate escondido ou sorvete. Até jantamos juntos; duas vezes ele até se sentou ao meu lado enquanto eu olhava as estrelas, tentando achar nelas alguma direção.

Eu estava no meu limite. Para completar o cenário de tortura, a cólica e a menstruação começaram a dar as caras na sexta-feira. Uma dor fina e cortante que subia pelas costas, somada à irritabilidade da TPM que já me fazia querer gritar e quebrar tudo ao meu redor. Eu estava alimentada pelo ódio. Ódio do meu pai por não me salvar logo, ódio por Lorenzo ser tão frio que não me pediu desculpas, por eu ser tão fraca por não o confrontar, e ódio de Dominic Ferraro por ter me abandonado, fugido mais uma vez. Droga!

— Ele não mandou notícias, Cass? — perguntei em uma tarde de sábado, tentando parecer indiferente enquanto limpava o suor do rosto.

Cassian me olhou com uma pena que me irritou.

— Ele está na Sicília, Alessia. Treinando os homens para o Conclave. Mas Lorenzo disse que ele volta na terça-feira. Mas não se preocupe... tem câmeras nessa casa e o Dom gosta do controle. Ele pode estar longe, mas você não está sozinha.

***

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