POV: ALESSIA LOMBARDI
Eu me arrastei para o quarto sentindo cada fibra do meu corpo protestar. O meu corpo estava dolorido por causa da semana intensa de treino e os treinos de hoje. Dominic tinha sido um carrasco, um bruto que não teve a decência de perceber que eu estava no meu limite físico. Ser derrubada no chão repetidamente já era ruim, mas ter que gritar sobre a minha própria menstruação na cara dele foi o ápice da vergonha.
Tomei dois remédios para dor, enfiei-me debaixo das cobertas e deixei o cansaço me vencer. Eu só queria sumir.
Não sei quanto tempo dormi, mas acordei com um sobressalto. O sol já estava baixando e havia um vulto laranja sentado na minha janela. Pulei da cama, o coração disparado, pronta para gritar, até que a figura se virou. Era Siena, uma ruiva vibrante, com um sorriso que não parecia combinar com o clima fúrio daquela mansão.
— Oi! — ela disse, acenando como se fôssemos velhas amigas.
— Siena? O que está fazendo no meu quarto? — perguntei, ainda tonta de sono.
— O cara mal com olhos coloridos me pediu para vir te ajudar. Bom, na verdade, ele quase me sequestrou por telefone, mas como ele me deu o cartão de crédito dele com a senha mais idiota do mundo, eu não pude recusar.
Eu pisquei, confusa. Dominic chamou alguém? Olhei para a mesa de cabeceira e para o pé da cama e quase não acreditei. Havia sacolas e mais sacolas. Chocolates de todas as marcas, potes de sorvete, caixas de absorventes, remédios específicos para cólica e até algumas coisas que eu nem sabia que precisava.
— Ele me disse que seu útero estava sendo "mastigado" — Siena riu, descendo da janela. — Homens são tão dramáticos quando o assunto é sangue que eles não causaram. Olha, eu até comprei esse ursinho aqui para você socar. Imagine alguém que você odeia e finge que é esse alguém. Ajuda muito na TPM.
Eu soltei uma risada involuntária. Aquela garota era um furacão de energia.
— Geralmente minhas cólicas não são tão assim — confessei, sentindo o rosto esquentar ao lembrar dos meus gritos no pátio. — Acho que é o estresse.
— Estresse é pouco, né? — Siena deu de ombros, abrindo um dos chocolates e me oferecendo. — Eu fiquei sabendo que você é tipo uma prisioneira, mas olha... você está sendo muito bem cuidada. Luara disse que nunca viu o "Dom" se importar com outro alguém a não ser ele mesmo ou os irmãos.
— Eu não entendo direito o que está acontecendo — admiti, aceitando o chocolate.
— Se eu posso te perguntar, me diga como eles são... porque quando eu vim para essa cidade eu não esperava que fosse deles. Só estava querendo ir para o mais longe possível, só que sem dinheiro a gente não vai para lugar nenhum... — ela riu sem graça. — E eu fiquei sabendo que são cruéis e sanguinários.
— Eles são monstros, Siena. Mas não são tão ruins assim, né? Eu já vi gente ruim de verdade e, tirando o pequeno fato que o outro irmão queria me matar, eu tô bem. Sou tratada, alimentada e até treinada.
— E pelo visto adocicada... — ela riu, arrumando o cabelo ruivo cacheado atrás da orelha. — Quem te prendeu aqui foi qual dos três?
— O Dominic, o de olhos coloridos, como você disse. Ele é... complicado. Mas às vezes ele me olha como se... — parei, balançando a cabeça. Ia dizer como se eu fosse importante, mas sou uma ferramenta, eu me lembrei. — O Dominic é um demônio, mas comigo não é tão ruim.

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