POV: ALESSIA LOMBARDI
Dormi como se tivesse sido nocauteada. O cansaço dos sete dias de treino com o Canário finalmente cobrou o preço, e eu não ouvi sequer um ruído durante a noite.
Acordei com os primeiros raios de sol. Sobre a minha cama, alguém havia deixado uma camiseta preta de poliamida, com proteção UV. Não vi quem deixou, mas o cheiro cítrico e amadeirado que impregnava o tecido entregava o dono. Escolhi um biquíni minúsculo para testar o autocontrole de certo alguém, hoje estaríamos sozinhos e a vários metros da casa dele, não teria como ele fugir de mim ou será que teria?
Vesti por baixo da calça legging, calcei bota tática que me deram e a camisa UV.
Às oito em ponto, a porta se abriu sem aviso. Dominic estava lá, com uma mochila nas costas e o olhar impenetrável de sempre.
— Vamos. — Foi tudo o que ele disse.
Saímos em silêncio. No pátio, não vi nenhum dos soldados de guarda habitual.
— Onde estão seus "animais"? — provoquei, enquanto começávamos a entrar na mata. — Pensei que eles adorariam ir à cachoeira também, vai fazer muito calor.
Dominic nem sequer virou o rosto para me olhar.
— Você planeja nadar usando o quê, Alessia?
— De biquíni, obviamente — respondi, arqueando uma sobrancelha.
— Então eles não vão.
Segurei o riso.
Caminhamos por um tempo. O verde era tão vibrante que chegava a doer nos olhos. Quando você fica presa entre quatro paredes, esquece que o mundo é tão vasto e bonito. Percebi que o caminho não era natural; havia estacas novas, cordas de segurança tensionadas entre as árvores e raízes que pareciam ter sido cortadas recentemente para facilitar a passagem.
Chegamos a um despenhadeiro. O som da água agora era um rugido.
— A queda tem quarenta metros — Dominic disse, parando na beira de uma descida íngreme que parecia levar direto para o abismo. — Não havia caminho até aqui embaixo. Eu providenciei.
— Obrigada — murmurei, surpresa com a escala da obra.
— Não foi por você — ele rebateu seco, embora eu soubesse, pelo que Cassian disse, que ele estava mentindo.
Ele testou a tensão de uma corda grossa que descia pelo barranco.
— Vou na frente. Me dê a mão.
— Quer ajuda com a mochila? — perguntei, vendo o peso que ele carregava.
— Está tudo sobre controle. Apenas segure em mim e não solte.
A descida foi difícil. Levamos quase trinta minutos para vencer as pedras lisas e o terreno úmido. Na metade do caminho, meu pé direito cedeu em um lodo profundo. Eu ia cair de vez, mas Dominic largou a corda com uma mão e me puxou com força pela barriga, colando minhas costas no peito dele.
O impacto foi imediato. Senti o calor da pele dele através das roupas, a firmeza dos seus braços me prendendo contra o seu corpo musculoso. Meus peitos subiam e desciam contra o braço dele a cada respiração ofegante. Naquele silêncio da mata, eu tinha certeza absoluta de que as vibrações do meu coração estavam chegando nele. Ele podia sentir o quanto eu estava apavorada ou o quanto eu o desejava.

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