POV/ ALESSIA
Comecei a caminhar para a água. As pedras eram lisas e escorregadias, e o Dominic veio logo atrás. Ele mantinha os braços estendidos ao lado do meu corpo, sem encostar, como se cuidasse de uma criança aprendendo a andar. Senti o olhar dele pesado na minha nuca e na minha bunda enquanto eu avançava, até que a água bateu na minha cintura e eu mergulhei.
O frio foi um choque, mas eu precisava daquilo. Nadei para o meio e flutuei de costas, olhando para o céu. Era a primeira vez que eu me sentia livre em semanas. Havia uma corda de segurança atravessando a parte funda; segurei nela com uma das mãos para boiar. Dominic nadou até mim e parou na minha frente, segurando a mesma corda. Meu cabelo prata estava molhado, grudado no meu rosto e cobrindo meus olhos. Tentei tirar, mas ele foi mais rápido. Ele se aproximou e, com os dedos ágeis, afastou as mechas do meu rosto, prendendo-as atrás da minha orelha.
Fiquei encarando o rosto dele de perto. Era uma máscara de gelo, sem emoção ou brilho, o vazio clássico de um psicopata. Mas o calor que emanava dele, mesmo dentro da água fria, era impossível de ignorar. Parei ali, segurando a corda, sentindo o peito subir e descer. Olhei ao redor, para a estrutura da trilha lá no alto, para os degraus esculpidos na pedra e para o apoio dentro da água. Tudo ali tinha o rastro dele. Ele tinha gasto tempo, dinheiro e esforço para que eu pudesse ter uma hora de paz.
Um pensamento amargo atravessou minha mente: Eu estou aceitando miséria.
Ele me sequestrou. Ele me arrancou da minha vida e me manteve prisioneira em uma gaiola de luxo. E agora, bastava ele preparar um lugar bonito e me segurar pela barriga para eu não cair, para que eu me sentisse... feliz. Era patético. Eu era uma Lombardi e estava aqui, derretendo pelas migalhas que o meu carrasco jogava no chão. O pior não era o que ele fazia; era o fato de que eu queria mais. Eu queria que aquele silêncio dele fosse preenchido por algo que não fosse apenas instinto.
Nadei estilo cachorrinho um pouco mais para me afastar dele, indo direto para debaixo da queda d'água. Deixei o peso da cachoeira bater contra os meus ombros e minha cabeça. Eu precisava daquele choque; queria ver se aquela água gelada era capaz de lavar minha mente, minha alma e meu corpo corrompido. Fiquei ali por alguns segundos, com o barulho do mundo sendo abafado pelo rugido da água. Quando saí debaixo da queda, decidi nadar de volta para corda, abrindo espaço caso ele quisesse desfrutar também.
Mas quando me firmei e me virei, Dominic já estava nadando até mim. Ele parou a centímetros de distância e aqueles olhos bicolores brilhavam de um jeito hipnotizante. Eu sorri sem querer. Ele era um diabo muito lindo.
— Você está rindo do quê? — ele perguntou. A voz era baixa, cortando o som da água. Senti a mão dele buscar a minha sob a água, segurando o mesmo ponto da corda, nossos dedos se roçando.
— De mim mesma — respondi, parando de lutar contra o que sentia. Aproximei meu corpo do dele, sem pressa, deixando meus seios encostarem no peito quente e molhado do Capo. O contraste do frio com o calor da pele dele me fez suspirar. — De como é fácil me agradar quando você decide não ser um psicopata por cinco minutos.
Dominic não desviou o olhar. Ele apertou a corda com mais força e senti o corpo dele tencionar contra o meu. Ele era o predador domado por um momento, e eu a presa que não queria fugir.
— Alessia... — ele sussurrou meu nome. — Não faz isso. Acabe com qualquer coisa que tiver na cabeça sobre mim — disse, se afastando devagar. — Odeie-me. É a única forma de sairmos vivos disso.
— Então me ensine a te odiar... — falei, me aproximando mais.
— Isso não pode acontecer. É errado. Você era para ser apenas um detalhe no meu plano, mas virou um detalhe grande demais. Você precisa me odiar.
— E eu... e eu odeio o fato de não conseguir te odiar como eu deveria. — disse era a maior verdade, verdade absoluta — sinto tanto medo, justamente por causa do que estou sentindo aqui dentro. Eu não sei explicar...
— Precisa alimentar esse ódio todos os dias, e esquecer o resto porque se eu não tiver o seu desprezo, eu não vou conseguir terminar o que comecei. Eu preciso continuar sendo o monstro.
— Me diz como?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE