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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 92

POV: DOMINIC FERRARO

Desliguei o telefone e encarei o visor por alguns segundos. A voz de Siena ainda ecoava, ditando a lista de exigências para o "bem-estar" de Alessia. Televisão, tipos específicos de comida nada que eu considerasse saudável, mas se fosse para o conforto dela, eu faria.

Percebi, naquele silêncio do escritório, que eu estava agindo como um subordinado. Eu me importava. Mais do que um Capo deveria, mais do que a estratégia permitia. E muito mais do que um vingador deveria se permitir.

Bebi sozinho enquanto a noite caía. Fui notificado que Siena já estava com Alessia e que a empregada da madrugada já cuidava do serviço. Cochilei na poltrona e o sono me traiu. Tive um pesadelo horrível: cobras, um clarão, Alessia levando um tiro e morrendo nos meus braços.

Acordei assustado com o som da porta se abrindo sem bater. Lorenzo entrou. A expressão era fechada, os olhos analisando cada centímetro da minha postura desleixada.

— O que você quer aqui, Lorenzo? — perguntei. Minha voz estava rouca. Servi um copo de whisky; seria minha primeira refeição do dia.

— Você estava estranho no telefone. Insuportável, na verdade. Vim ver o que você tem para contar antes que exploda a casa.

Lorenzo caminhou até o bar, pegou uma garrafa e sentou na poltrona à minha frente. Ele não esperou convite. Encheu o próprio copo, depois o meu e me encarou.

— Desembucha logo — ele disse. — Pela sua cara, eu não vou gostar do que vem por aí.

— Eu vou fazer uma loucura, Lorenzo. A maior da minha vida. E não estou falando como o seu Capo. Estou falando como seu irmão. Preciso que você entenda e, porra, preciso que você não me mate.

Lorenzo travou o copo no meio do caminho. O olhar dele ficou pesado. Ele sabia que, quando eu usava a palavra "irmão", o protocolo da máfia morria.

— Vou tomar um banho primeiro — levantei-me, sentindo o corpo rígido. — Preciso tirar o cheiro de suor. Você também parece que acabou de chegar da guerra.

— Também vou. Tive uma noite agitada com duas prostitutas.

Caminhei até ele e parei.

— Lorenzo... você está bêbado o suficiente para um pedido de desculpas?

— Por que eu deveria pedir desculpas para ela? — ele arqueou a sobrancelha.

— Porque ela não precisa odiar nós dois. Apenas a mim. Eu preciso de você ao meu lado nisso. — Bati a mão no peito dele, na direção do coração, e saí sem dizer mais nada.

No corredor, passei pela porta do quarto de Alessia. Parei por um segundo. Ouvi o som da TV e o tom baixo de uma conversa com Siena. Segui para o meu quarto. A água quente não ajudou. O acordo com Lombardi estava selado. Ele me deu o que eu queria em troca da única coisa que eu realmente desejava manter.

Meu plano original era simples: maltratar, torturar psicologicamente Alessia e, depois de quebrar ela, iria trocá-la pela vida do Leopoldo para matá-lo lentamente. Agora, eu estava prestes a não fazer nenhum dos dois. Estava jogando fora doze anos de ódio acumulado.

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