( UM CAP. MAIOR PARA ENTEDERMOS O QUE ESTÁ ACONTECENDO.... )
POV/ DOMINIC
A noite de quinta-feira, logo após o meu embate com Lorenzo no escritório, foi um teste de paciência. O jantar na mansão da fazenda foi servido sob um silêncio cortante. Siena estava à mesa, e era visível o quanto ela estava apavorada. Lorenzo não facilitava; o olhar dele sobre a ruiva era predatório, a mão sempre próxima à arma, como se esperasse um pretexto para disparar.
— Lorenzo, mantenha a porra da sua arma longe da minha amiga — ordenei, sem desviar os olhos do meu prato.
— Ela está sob minha proteção. Ele soltou um riso nasalado e não respondeu. Alessia me ignorou o jantar inteiro, mas eu sentia a tensão dela vibrando no ar.
Na sexta-feira de manhã, o helicóptero levou Siena para casa. Resolvi algumas pendências com o Canário e ordenei que ele assumisse os treinos da Alessia até o nosso retorno. Logo após o almoço, Lorenzo e eu deixamos a ilha.
Passei a sexta e o sábado mergulhado em burocracia pesada entre Palermo e as cidades do norte. Conferi cada papel assinado pelo Lombardi, levando pessoalmente ao contador para traçar as novas rotas do nosso território. Formalizamos as transferências e validamos as escrituras em cartórios, garantindo que cada porto em Trieste e cada rota retomada estivesse blindada legalmente sob o nome Ferraro.
Agora, as rotas que saíam do norte da Itália em direção à Áustria e à Eslovênia eram minhas. Mais do que isso, recuperei o controle logístico dos portos que recebem cargas da Turquia. Ter o domínio desses pontos de entrada significava que nada vindo da Capadócia fossem armas ou mercadorias ilícitas passaria por solo italiano sem o meu selo. Era o movimento final para apoiar o plano de Killian: quem controla os portos, asfixia o tráfico humano antes mesmo de ele chegar ao continente.
Passei horas em frente ao computador, revisando dados e selando acordos que nos tornariam os donos da porra toda. Mas meu cérebro de psicopata não descansava. O "ruído" continuava ali. Eu me pegava imaginando se ela estava comendo, se estava treinando, ou se estava chorando por causa da sentença que dei a ela.
Voltamos no domingo à tarde
Lorenzo desceu logo atrás de mim, seguindo direto para a casa, mas eu mudei o caminho. O eco de golpes secos vinha do deck de treinamento.
Caminhei em silêncio. A luz do fim de tarde batia nas pedras da mansão fazenda, criando sombras longas. Parei e fiquei escorado nas paredes a observando.
Alessia parecia cansada, o cabelo prata grudado no pescoço pelo suor, mas os olhos dela... eles queimavam. O Canário não estava dando trégua na luta corporal. Eu observei cada movimento dela. Ela estava mais rápida, mais fluida. Quando o Canário tentou agarrá-la pelo pescoço, Alessia se abaixou com um reflexo felino. No segundo seguinte, ela desferiu um soco no antebraço dele e, com uma rasteira seca e precisa, derrubou aquele homem de cem quilos.
O Canário caiu de joelhos, soltando um grunhido. E ela riu. Uma risada vitoriosa, eu sorri junto parecendo um bobo alegre por alguns segundos, antes de respirar fundo e recuperar a pose.
— Não cante vantagem antes do tempo — eu disse, saindo das sombras. Minha voz saiu mais profunda do que eu pretendia.
Cruzei os braços sobre o peito, sentindo o tecido da camisa escura tencionar. Eu a observava com a intensidade de quem estuda um alvo, mas a verdade é que a ereção do pau era difícil de ignorar. Será que ela seria uma leoa na cama, será que me deixaria a dominar? — sacudi a cabeça espantando os pensamentos.
— Se você se deixar levar pela euforia de um acerto, o inimigo te derruba no segundo seguinte — continuei caminhando lentamente para dentro do tatame. Meus olhos traíram minha lógica e desceram pelo corpo dela novamente. — A confiança excessiva é a fenda na armadura.
Alessia limpou o suor da testa, sustentando o meu olhar. Ela não recuou.
— Por que você não vem aqui então? — ela me desafiou, a voz firme. — Vem aqui e me derruba você mesmo, se eu sou tão fácil assim de ler. Ou está com medo de uma Lombardi?
Senti o maxilar travar. O sorriso que surgiu nos meus lábios foi puramente predatório. Aproximei-me até parar a centímetros dela, deixando que o calor do meu corpo a envolvesse. O cheiro de sândalo e suor era uma mistura perigosa.
— Até parece que você me assustaria, principessa — murmurei, vendo as pupilas dela dilatarem.
— Vamos fazer uma aposta então? — ela perguntou.
— O que quer apostar? Sua liberdade? — debochei, mas meus olhos traíram meu controle ao descerem para o decote suado dela. Que seios fartos seria uma honra fazer uma espanhola.
Se controla homem. Disse para mim mesmo em pensamento.
— Se eu conseguir te derrubar de costas no chão, você vai fazer três coisas para mim. O que eu quiser, sem perguntas.
Soltei uma risada sombria. A audácia dessa garota era o que me mantinha viciado.
— E se eu derrubar você?
— Você já me tem aqui, Dominic. Já manda na minha vida — ela rebateu, quase me prensando com o olhar. — Mas se eu ganhar... eu quero meus prêmios. Ela tinha razão eu a tinha por pouco tempo e isso me causou um certo desconforto.

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