POV: DOMINIC FERRARO
Durante a noite, o silêncio da mansão era um ruído insuportável. Não dormi. O pesadelo com as cobras e o sangue dela ainda queimava no fundo da minha mente, uma imagem nítida que me fazia acordar com o gosto de ferro na boca. Saí antes do sol nascer. Precisava de distância, de papelada e de qualquer coisa que não tivesse o cheiro de jasmim e nem a presença dela impregnada.
Passei a manhã resolvendo as transferências de Trieste. O helicóptero trouxe o restante dos meus soldados de volta. Homens brutos, que sobreviveram ao caos do casamento e agora estavam ali, amontoados no pátio, esperando o entretenimento: o Capo esmagando a "Princesa Prateada".
Pousei na fazenda perto das quatro horas da tarde. Fui direto para a área de treino e, quando cheguei, ela já estava lá.
Alessia estava dobrada, as mãos tocando os pés, de costas para mim. Ela parecia estar se alongando, levando o desafio a sério, pensando que tinha alguma chance. Era tão fofa que chegava a ser engraçado, mas o desejo que ela despertava era letal. O short era curto demais, uma provocação direta que me atingiu como um soco. Enquanto ela se abaixava e empinava a bunda, o tecido esticou ao limite, delineando a curva larga e deixando a polpa das nádegas quase à mostra. Senti o sangue descer para o pau e a ereção latejar contra o brim da minha bermuda.
Olhei para trás. Meus soldados estavam estáticos, com os olhos fixos exatamente onde os meus estavam. O ódio subiu pela minha garganta, quente e seco. Forcei-me a engolir a fúria; queria arrancar os olhos de cada um deles. Alessia se virou, ficou na ponta dos pés para se espreguiçar e depois abaixou. O topo dela mal sustentava o peso dos seios fartos, e a barriguinha estava à mostra pele branca, lisa, maravilhosa. Consegui visualizar perfeitamente aquela mulher de quatro na minha cama, os cabelos pratas servindo de rédea.
Acordei dos meus pensamentos porque percebi que meus homens poderiam estar imaginando a mesma coisa.
— Todos vocês. Meia volta. Saiam daqui agora — rosnei.
Eles não questionaram. Se ficassem mais um segundo olhando para o que é meu, eu teria que abrir buracos em cada um deles com as minhas próprias mãos.
— O que foi, Dominic? — ela provocou.
Aproximei-me. O cheiro dela me atingiu como um entorpecente. O decote era uma armadilha visual. Meus músculos do pescoço saltaram sob a pele. Minha mente, sempre lógica e fria, estava ficando nublada pela presença dela.
— Se decidissem atacar você agora, o que eu faria? — sussurrei perto do ouvido dela, sentindo o calor que emanava da sua pele. — Para manter a minha autoridade e a sua integridade, eu teria que matar cada um daqueles homens.
Arranquei a minha camiseta para ela vestir. Seria difícil demais pensar com ela tão perto, e eu a queria ainda mais perto. O balanço dos seios dela me distraía, quebrando meu foco. Joguei o tecido escuro no rosto dela.
— Vista isso.
Ela recusou. A insolência dela me viciava mais que o poder.
A luta começou. Ela estava rápida, melhorou os golpes. Desviei de um soco e percebi o quanto ela era persistente, mas eu sou uma muralha: grande, alto e forte. Cada golpe que ela desferiu, eu absorvi ou desviei com facilidade. Eu a coloquei no chão com uma lentidão que me torturou; eu poderia ter jogado ela com força, mas eu não queria machucá-la.
Um a Zero - pedi que vestisse a camisa e ela vestiu a contragosto.
Dois a zero.
No terceiro round, ela gritou. Ela caiu segurando o joelho, o rosto contorcido.
— Alessia?
Me inclinei rápido. Baixei a guarda. Me preocupei de verdade, o que era um erro para alguém como eu.
Mas foi um truque. Ela me empurrou e eu desabei de costas. O impacto contra o tatame ecoou pelo ginásio silencioso. Ela caiu por cima de mim, o cabelo prata formando uma cortina no meu rosto, isolando o mundo lá fora. Ficamos assim por alguns segundos. Prendi a respiração sem querer. Meu sangue foi todo para a cabeça do pau. Eu a queria assim, mas queria sem roupa, sem resistência. Queria provar a pele dela, o gosto dela. Minha mente ficava descompassada com ela por perto.
Minha mão subiu e o polegar roçou a bochecha dela, sentindo a textura macia e o suor do treino.
— Como? — ela sussurrou. — Como é que só eu sinto isso? Como eu posso ser só um brinquedo para você enquanto meu corpo inteiro grita pelo seu?
Olhei para ela. A vontade de dizer que meu peito estava em chamas, que desisti da vingança por causa dela, que estou movendo o mundo para que ela saia viva e que meu corpo implora pelo seu toque... quase falei a verdade de uma vez.
Mas não podia.
Ela vai embora em alguns dias. Se ela for embora me amando, ela sofrerá e será um alvo fácil. Se ela for embora com ódio, ela sofrerá, mas permanecerá alerta e viva.
— Alessia, não é assim... — comecei forçando a hesitação. — Você é muito... — Nem eu sabia o que dizer. Queria dizer que ela era minha mulher, importante, tudo menos um brinquedo.

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