( Um cap. gigante, não vou dividir o conteúdo porque é importante, e também preciso que vocês leiam, e por favor deixem o like e avaliem a obra) SE ALGUMA INFORMAÇÃO FICOU CONFUSA- PERDOE-ME.
POV: DOMINIC FERRARO
O ponto de encontro foi um galpão abandonado na zona portuária de Catania. O cheiro de salitre e ferrugem impregnava o ar, misturando-se ao odor de óleo diesel velho. Leopoldo Lombardi estava lá, cercado por uma dúzia de homens armados até os dentes. Marcellos Cantaloupe estava ao lado dele, com aquela postura de cão de guarda e os punhos cerrados, o que me deu uma vontade absurda de descarregar um pente inteiro no meio da cara dele.
Desci do SUV sozinho. Havia trazido apenas dois atiradores que estavam em posições estratégicas; se desse errado, morreríamos os três — as cabeças da nossa hierarquia. Senti o vento frio do porto no rosto, mas meu corpo estava quente sob o traje tático completo. Ajustei a pasta de couro sob o braço e senti o peso do coldre de polímero na coxa.
Deixei Lorenzo na fazenda. Se meu irmão visse a cara de Leopoldo, o tratado de paz terminaria antes mesmo de ser aberto. Lorenzo, quando se trata de Leopoldo, não tem o meu controle; ele agiria pelo ódio, e hoje eu precisava agir com o cérebro. Engraçado, porque o desgovernado sempre fui eu. Como o mundo dá voltas.
— Onde ela está? — Marcellos disparou, antes mesmo de eu parar. As narinas dele inflavam de raiva.
O ignorei completamente. Meus olhos estavam fixos em Leopoldo. O homem que destruiu minha família parecia velho, a pele vincada pelo tempo, mas ainda tinha o veneno no olhar.
— Ela está bem — respondi, a voz seca. — Mas não vim aqui para falar de bem-estar. Vim falar de sobrevivência.
Leopoldo deu um passo à frente. Ao redor dele, os seguranças tencionaram, as mãos subindo para as armas. Eu não pisquei.
— Você disse que a mataria, Ferraro. Disse que usaria o corpo dela para chegar a mim. O que mudou? — Leopoldo arqueou a sobrancelha, o tom carregado de ceticismo. — Não me quer mais morto?
— O mercado negro mudou — joguei a pasta de couro sobre o capô do carro dele. O som do impacto ecoou no galpão vazio. — Existe um contrato aberto. Alguém colocou um preço na cabeça da Alessia. Se eu te matar agora, ela vira um alvo sem proteção. Ela será caçada, leiloada e vendida para algum porco na Ásia ou no Leste Europeu.
O rosto de Leopoldo piscou algumas vezes, os olhos saltando de mim para a pasta, incrédulo. Marcellos travou o maxilar com tanta força que vi os músculos do seu pescoço saltarem. Ele pegou a pasta com as mãos trêmulas de ódio.
Claro que estavam pensando: eu, um psicopata narcisista, preocupado com alguém que não fosse meus irmãos. Eu mesmo sei que parece uma loucura. Senti um arrepio na nuca, mas mantive a postura de pedra.
— Eu me importo mais com a integridade dela do que com o prazer de ver você sangrar agora — continuei. — Este é o tratado. Você vai mantê-la segura. Vai usar todos os seus recursos para protegê-la enquanto eu descubro e acabo com quem quer que tenha colocado ela em risco. Em troca, você vive. Por enquanto.
— Você está desistindo de doze anos de ódio por causa dela? — Leopoldo perguntou, analisando o documento, a voz falhando por um segundo.
— Estou garantindo que o que é meu não termine em um container — retruquei. Senti o coração bater mais forte, uma batida pesada contra o peito tático. — Leia. Se assinar, ela volta para você em mais ou menos uma semana.
Afastei-me e peguei o telefone. O suor frio começou a descer pelas minhas costas. Disquei para o Killian. Ele atendeu direto das Maldivas.
— Moretti — falei, ignorando os homens do Lombardi que me vigiavam como abutres famintos.
— Ferraro. O que aconteceu para me ligar agora?
— Fechei com o Lombardi. Vou devolver a garota no dia. Preciso dela viva e protegida pelo pai enquanto limpo o rastro do tráfico humano que está atrás dela. O ódio pelo velho pode esperar. Ela não.
Killian soltou uma risada curta, desprovida de humor.
— O monstro da Sicília priorizando uma mulher? O mundo está mesmo acabando.
— É pragmatismo, Killian. Escuta, você falou dos containers na Índia. Eu vou continuar te ajudando e assim poderemos manter nossas mulheres seguras.
— Nossas mulheres? — ele perguntou retoricamente. Senti o peso daquela palavra.
— Pois é, mesmo que ela não esteja comigo, nunca deixará de ser minha. Eu decidi naquele dia.
Olhei para o horizonte cinzento do porto.
— Eu vou terminar a reunião, ver se o porco vai aceitar e quando ele se resolver, eu ligo para termos uma conversa de homem. Sobre sua opinião.
— Vou precisar de um favor — Killian interrompeu. — Quero que um de vocês ou seu irmão vá ao Brasil ficar de babá. Sei que está ocupado, mas é importante.

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