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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 98

POV: DOMINIC FERRARO

Entrei no meu quarto e bati a porta, mas o som não foi alto o suficiente para abafar o barulho que o conselho do Lorenzo fazia na minha cabeça. Fui direto para o banheiro. Deixei a água gelada castigar meus ombros, tentando desesperadamente congelar o que estava queimando aqui dentro. Não funcionou. Saí do banho, vesti apenas uma calça de moletom e voltei para o quarto.

Peguei a garrafa de uísque. Uma dose. Duas. Três. O líquido queimou a garganta, mas o fogo no meu peito era imune ao álcool. Eu não queria ir até lá. Eu queria que o tempo parasse, que o sol nunca mais nascesse e que o dia 15 fosse apenas uma data inexistente no calendário. Mas eu sou o Capo. E Capos não fogem de execuções, mesmo quando a vítima é a própria alma.

Caminhei pelo corredor como se estivesse indo para o meu próprio fuzilamento. Parei diante da porta dela. O silêncio lá dentro era cortado apenas pelo som abafado da água do chuveiro. Entrei.

Sentei-me na beira da cama e esperei. Meus punhos estavam cerrados sobre os joelhos. O quarto dela tinha o rastro dela — livros, o ursinho que a Siena comprou, o cheiro de jasmim. Era o meu santuário e a minha câmara de tortura.

A porta do banheiro se abriu.

Alessia saiu envolta em uma toalha branca, os cabelos prateados úmidos escorrendo pelas costas e pelos ombros. O vapor do banho trouxe com ele o perfume do creme dela — algo doce, fresco, que me atingiu como um soco no estômago. Ela parou quando me viu. Os olhos verdes brilharam com uma alegria que me fez querer vomitar de culpa. Ela sorriu. Aquele sorrisinho de quem ainda acreditava na magia da cachoeira.

— Oi... você já está aqui? — ela disse, a voz suave, carregada de uma expectativa que eu estava prestes a esmagar.

Eu não consegui sorrir de volta. Olhei para a parede, evitando o rosto dela, evitando a luz que emanava da sua pele. Eu me senti velho, quebrado e sujo.

— Eu vou vestir uma roupa... ou melhor não? — ela brincou, dando um passo na minha direção.

Levantei-me devagar. Meus movimentos eram pesados, mecânicos. Caminhei até o batente da porta, precisando de um apoio físico para não desmoronar. A exaustão de uma semana de guerra não era nada perto do peso dessas próximas palavras.

— Meu segundo desejo — ela me atropeleu, a voz eufórica. — Quero ver você lutar no dia 10. Fiquei sabendo da eliminatória e eu quero ir. Por favor.

Soltei um suspiro longo, sentindo o ar arder nos pulmões. Não seria mais dia 10, más não era hora de explicar. Aceitei o desejo porque não tinha mais forças para negar nada a ela. E talvez depois disso ela mudaça de ideia.

— Eu preciso te falar uma coisa. Antes... — minha voz saiu sombria, um tom que fez o sorriso dela murchar lentamente.

Voltei para a cama e me sentei. Eu não conseguia sustentar o olhar dela. Fixei meus olhos em um ponto qualquer da parede, tentando recuperar a máscara de gelo que o Lorenzo disse que eu precisava ter.

— O que foi? O que aconteceu? — o tom dela mudou. O medo agora ocupava o espaço da alegria.

— É difícil — comecei, as palavras saindo como navalhas da minha boca. — Mas é necessário. Eu falei com o seu pai. Fechamos o acordo. Ele me deu tudo o que eu queria: território, rotas, dinheiro.

Finalmente, tomei coragem e virei o rosto para encará-la. O olhar dela estava fixo no meu, buscando uma mentira que eu não podia contar.

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