POV: DOMINIC FERRARO
Eu estava beijando os lábios dela com uma fome que eu não conseguia mais mascarar. Segurei seu rosto entre as mãos, sentindo o calor da pele contra as minhas palmas ásperas, e o gosto salgado das lágrimas dela se misturou ao nosso beijo. Caralho. Naquele momento, o monstro que eu cultivei por doze anos se desfez em cinzas. Eu não era mais um executor; eu era apenas um homem desesperado. Mas eu não podia. Não podia destruir a única coisa que lhe restava de dignidade perante ao Mundo e aos porcos que a esperavam lá fora.
Coloquei as mãos na cintura dela. A intenção era afastá-la, cobri-la com o lençol e trancar a porta para que eu pudesse sangrar sozinho no corredor. Eu precisava recuperar o controle, precisava que ela me odiasse para sobreviver. Mas ela foi mais rápida. Alessia me empurrou contra a parede com uma força que eu não esperava e descarregou um tapa no meu rosto. O estalo ecoou no quarto gélido como um tiro de misericórdia.
— Seu covarde, desgraçado! — ela gritou, os olhos verdes transbordando uma mágoa que me atingiu mais que o golpe físico. — Você que começou com essa merda toda, então termina... TERMINA! Termina, por favor... só termina o que você começou.
Fiquei em silêncio. Meu rosto ardia, mas minha mente estava em um turbilhão. Eu a observava ali, com aquele cabelo prateado brilhando sob a luz fraca do abajur, parecendo um anjo que caiu por engano no meu inferno particular. Cada respiração dela era um lembrete do que eu estava prestes a perder.
— Alessia. Eu não vou estuprar você — minha voz saiu rouca, quase um pedido de desculpas que eu não tinha o direito de fazer.
— Você não vai — ela sussurrou, a respiração batendo contra a minha boca, os seios fartos roçando no meu peito nu a cada arquejo. — Você não quer? — ela perguntou, a voz falhando, carregada de uma vulnerabilidade que me destruía.
Você é o que eu mais quero no mundo, pensei. Mas o nó na minha garganta impediu que as palavras saíssem. Eu devia ter falado. Devia ter dito que ela era a minha redenção, a única coisa real em meio a tanta morte, mas o Capo ainda lutava para manter a máscara de gelo e mármore. Alessia se abaixou para pegar a toalha no chão, um movimento de quem já aceitava a derrota, sem tirar os olhos de mim. Eu, que passei a vida sendo treinado para não sentir medo, raiva ou amor, estava sentindo tudo em um momento só.
— Você é fraco, Dominic. Você se pinta de monstro, tenta agir como um, quer controlar todas as coisas ao seu redor, mas não consegue sequer controlar o que eu sinto — ela disse, aproximando-se novamente, invadindo o meu espaço com uma coragem que me encurralava. — Você tem medo de que eu veja o quanto você está desesperado por mim. Você sente algo por mim, e isso te corrói por dentro. É isso, não é? Você prefere fugir a admitir que eu te venci.
O silêncio dela foi uma provocação lenta. Ela deu um passo para trás, o corpo nu exposto, desafiando a minha lógica.
— Não faz? Ótimo. Você vai me libertar e quando eu voltar para casa vou para o MARCELLOS. Vou deixar que ele faça o que você não teve culhão para fazer. Depois vou para outro e outro, quem eu quiser, já que o tal Capo da Fratellanza di Ferro é apenas um garoto assustado fingindo ser rei. Covarde.
A menção ao Marcellos foi como uma lâmina quente rasgando minhas entranhas. O ciúme possessivo explodiu, obliterando qualquer vestígio de proteção que eu tentava manter. Avancei, quebrando a distância entre nós em um único passo predatório. Agarrei o braço dela com a força de uma prensa hidráulica, sentindo os ossos finos sob a pele delicada. Ela soltou um arquejo de dor, mas eu não afrouxei o aperto. Aquelas palavras foram como chicotadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE