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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 81

POV Isadora Ferraz

Hospital – Alta médica

A porta do quarto se abriu devagar, e o rosto de Lorenzo surgiu entre a fresta com um sorriso sereno e olhos que carregavam o alívio do mundo.

— Hora de fugir desse lugar, irmãzinha?

Sorri fraco, ainda me sentindo meio feita de algodão, mas a ideia de sair dali… era como respirar de novo. Caio e Olívia já tinham ido embora cedinho, deixaram beijos, promessas e um café excelente na mesinha ao lado. Mas agora, com Lorenzo ali, eu me sentia segura. Com ele e com Dante. Dante estava encostado na parede, braços cruzados, olhos atentos a cada movimento meu. Desde a crise, ele não me deixava sozinha nem por um minuto. E confesso: eu precisava dessa presença. Dessa âncora.

— Pronta? — Lorenzo perguntou, pegando minha bolsa e o laudo da alta com aquela calma britânica dele.

— Pronta é um termo forte — brinquei, me levantando devagar. — Mas... viva. O que é um grande avanço.

— Você vai para casa descansar. Sem estresse. Sem trabalho. Sem mensagens do Montenegro. — Dante avisou, me dando apoio pelo braço com o maior cuidado do mundo. — E se você tentar fazer qualquer coisa além de comer, dormir e colocar os pés pra cima, eu te boto de volta nesse hospital.

— Anotado, general Harrison. — provoquei, encostando o rosto no ombro dele por um segundo.

O corredor do hospital parecia mais claro do que ontem. Talvez fosse a luz do sol, talvez fosse o peso que saiu do meu peito. Passamos pela recepção, e Lorenzo tratou de resolver toda a papelada com aquela diplomacia de quem nasceu para lidar com burocracia. Enquanto isso, Dante me acomodava no carro com uma delicadeza que só ele tinha. A estrada até o apartamento dele foi silenciosa no começo. Lorenzo dirigia, e Dante estava ao meu lado no banco de trás, com a mão entrelaçada à minha. Eu olhava pela janela, vendo o mundo seguir, normal, enquanto minha cabeça ainda tentava processar tudo.

Crise. Proposta. Bebê. Ameaça. Amor. Medo.

— Obrigada por virem me buscar. — falei, baixinho, sem olhar diretamente para nenhum dos dois.

— Você é minha irmã. Claro que eu viria. — Lorenzo respondeu.

— E você é... tudo. — completou Dante, me fazendo sorrir mesmo com os olhos marejando.

Chegamos ao prédio dele. Lorenzo subiu com a gente, mas avisou que não ficaria muito. Tinha uma reunião de última hora, mas queria se certificar de que eu estava bem instalada. E, bom... eu estava. O apartamento de Dante era um abraço disfarçado de concreto. Assim que entrei, senti o cheiro dele, a energia dele, a calma. Lorenzo me ajudou a tirar o casaco, deixou minha bolsa sobre o sofá e foi direto até a cozinha, perguntando:

— Vocês têm chá de camomila ou vou ter que improvisar com café fraco?

Rimos.

— Gaveta da esquerda. — Dante respondeu, já me levando até o quarto.

E tudo isso por causa de um nome: Montenegro.

Malditos Montenegro. Me encostei no batente da porta do quarto. Ela dormia tranquila, pela primeira vez em dias. Talvez pela primeira vez em meses. O rosto sereno, o peito subindo e descendo devagar. Havia um brilho novo ali… uma leve protuberância sob a blusa de algodão. O bebê. O sobrinho que eu nem sabia que queria tanto proteger. E eu protegeria. Mesmo que isso significasse enterrar todos os segredos que me seguram pelo colarinho desde o dia em que meu pai me colocou na frente do espelho e disse: "Você vai aprender a sobreviver como um Fabbri, não como um menino."

Mas e se… e se ela soubesse? Fechei os olhos. O gosto amargo da verdade voltou à minha garganta como ácido. Eu conheci Elena antes da Isadora. Muito antes. Ela apareceu em uma festa da alta cúpula, em Milão. Um evento político, fachada de negócios sujos. Ela era uma presença hipnótica no meio do caos: vestido vinho, sorriso afiado, olhos calculistas. Soube, no segundo em que a vi, que ela não estava ali por acaso. E ainda assim, caí. Como um idiota. Tivemos um caso rápido, impulsivo, regado a champanhe e mentiras. Ela nunca disse seu sobrenome. Nunca mencionou um Heitor. Só disse que não era da Itália e que gostava de homens perigosos. "Você parece esconder coisas", ela sussurrou na minha cama. "E eu adoro segredos."

Mal sabia ela que eu era o próprio segredo. Filho bastardo de um dos mafiosos mais temidos da Europa. Neto de um carrasco. CEO de uma empresa que funciona como cobertura para transações ilegais. Herdeiro de um império que eu nunca quis. E, agora… irmão de uma mulher que é tudo o que eu nunca consegui ser: boa. Minha vida é uma mentira em paletó caro. E, por mais que eu tenha tentado me afastar do meu pai, da máfia, dos jogos… eles sempre me puxam de volta. Como agora.

Dante não sabia, mas meu nome ainda estava na lista dos herdeiros do Consórcio Nero. Meu pai fingia me odiar, mas ainda esperava que eu assumisse meu lugar na mesa. Só que… não dava mais. Não com Isadora nesse jogo. Suspirei. Passei a mão pelos cabelos e encostei a testa na parede.

O que Elena fez com ela, aquilo não foi só crueldade. Foi premeditado. Ela quer destruir a Isa.

E eu estou tentando protegê-la. Porque mesmo tentando manter a distância, a máfia respira nas minhas costas. Eu tentei me aproximar de Isa limpo, transparente, mas como fazer isso quando o próprio sangue que corre em mim fede a pólvora? Se ela descobrir que eu e Elena já tivemos algo… se souber que eu sabia de mais coisas do que devia e me calei, vai me odiar. E ela teria razão. Mas, por Deus, eu quero protegê-la. Quero dar a ela o que ninguém me deu: verdade, afeto, escolha.

A porta do quarto rangeu levemente quando empurrei, entrando devagar. Sentei na poltrona ao lado da cama dela. Ficamos ali em silêncio, só eu, ela e o som da vida crescendo dentro dela.

— Me desculpa, Isa — murmurei. — Por não ser o irmão que você merece. Mas eu juro… eu vou ser o que você precisa. Nem que eu tenha que queimar tudo o que sou pra isso.

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