As palavras de Xander deixaram Nelson e Athena momentaneamente atônitos.
Nelson pensou: “Será que o príncipe Xander está tomando as dores de Athena Monson?”
As filhas de famílias prestigiosas costumavam viajar cercadas por um séquito. Não era raro terem cinco ou seis criadas e damas mais velhas como acompanhantes. Mas Athena tinha apenas Trina ao seu lado.
Nelson lançou um olhar cauteloso a Xander. O semblante dele seguia fechado, porém, quando o olhar pousou em Athena, havia nos olhos um quase imperceptível traço de suavidade.
Além do mais, Xander não era homem de demonstrar preocupação por qualquer pessoa.
Quanto mais pensava, mais espantado Nelson ficava.
Depois de 22 anos, Xander finalmente havia despertado para o amor.
Quanto mais olhava para Athena, mais ela lhe parecia a futura esposa de Xander.
Ela não era frágil nem afetada. Era o par perfeito para Xander.
Sem perceber, Nelson acabou soltando uma risada baixa.
— Lorde Bates? Lorde Bates? — chamou Athena várias vezes até que Nelson saiu do transe e percebeu que perdera a compostura.
Ao encontrar os olhos frios e inexpressivos do príncipe, ele rapidamente recompôs o rosto e anuiu: — O que Vossa Alteza disse é verdade. A propriedade do duque está tão pobre que mal conseguem se manter. Ouvi dizer que, não faz muito, chegaram a brigar até pelo seu dote.
Não havia segredos no mundo, muito menos na Mansão Xander.
Qualquer mínimo rumor logo chegava aos ouvidos de lá.
Athena se sentiu constrangida. Não queria parecer uma figura digna de pena.
Felizmente, Xander não se deteve no assunto.
Ele se virou para Athena e disse: — Seu remédio é realmente eficaz. Já me sinto muito melhor.
Enquanto falava, estendeu o braço. Athena adiantou-se e tomou-lhe o pulso.
Ela percebeu que as toxinas no corpo dele estavam quase totalmente expurgadas, mas ainda precisaria de algum tempo para se recuperar por completo.
Retirou a mão e disse: — Continue tomando a decocção por mais meia quinzena e estará completamente curado.
Ao ouvir isso, os olhos de Nelson se arregalaram de alegria.
Ele exclamou: — Lady Athena, a senhora é de fato uma curandeira prodigiosa! Tantos médicos ficaram sem saída, e a senhora devolveu a saúde de Sua Alteza com um único tratamento.
Quanto mais Nelson olhava para Athena, mais achava a família dela ignorante. Ela, uma médica renomada, e a tratavam como se fosse nada.
Se a verdade viesse à tona, iriam se arrepender amargamente.
Era uma pena que Xander lhe tivesse proibido de comentar. Caso contrário, já estaria batendo tambor pelas ruas para anunciar a novidade.
Athena sorriu de leve: — Nelson, não me coloque nas nuvens assim.
— Só estou dizendo a verdade — respondeu ele, bem-humorado.
Ele realmente tinha pena de Athena. Sendo a filha legítima da casa do duque, era oprimida por uma filha criada.
Ele não conseguia compreender o que se passava na cabeça deles.
Vendo que a hora já avançava, Athena se levantou para se despedir: — Como o estado de Vossa Alteza está estável, retornarei e voltarei em cinco dias.
Mas então Xander falou de súbito: — Da próxima vez que vier, chegue duas horas mais cedo.
— Por quê? — escapou de Athena, surpresa, antes de perceber que a pergunta fora imprópria.
Felizmente, Xander não se importou. O olhar dele pousou nela por um instante, antes de dizer, sereno: — Você saberá quando chegar a hora.
Dito isso, fez um gesto para que Nelson a acompanhasse para fora.
Ainda cheia de dúvidas, Athena quis perguntar mais, mas não ousou.
Os olhos de Trina se arregalaram de espanto. Mas, um instante depois, entendeu. Era hora de Willow provar um pouco do próprio remédio.
— Sim, minha senhora! — respondeu Trina, contente, saltando da carruagem.
Seja lá o que tenha dito a Daniel, ele deu pulos de alegria e a seguiu todo animado.
De longe, Athena viu Trina levar o homem para dentro do solar. Só então desceu da carruagem e foi atrás.
Ela fez questão de se demorar no portão, esperando o tumulto explodir lá dentro antes de avançar, com calma, ao salão principal.
Willow chegou às pressas, com o adereço de cabelo torto.
No instante em que viu Daniel bebendo água à vontade, seu rosto desabou.
Ojeriza cintilou em seus olhos, e ela hesitou em se aproximar.
Mas, ao vê-la, Daniel abriu um sorriso ganancioso, como quem encara um baú de tesouros: — Willow, quanto tempo! Senti sua falta. Eu precisava vir te ver.
Todo o sangue sumiu do rosto de Willow. Ela recuou, horrorizada, e disparou: — Não! Você não é meu pai. O Duque é meu pai! Nós já lhe demos dinheiro antes, não demos? Por que continua me importunando?
Ela tremia de raiva. Ter Daniel se declarando seu pai era a humilhação suprema.
Não podia aceitar que um inútil sem um tostão, viciado em jogo, se proclamasse seu pai.
— Saia. Vá embora! Eu nunca mais quero ver você! — gritou Willow, com os olhos marejando.
— Willow… — O sorriso de Daniel se desfez. O tom dele enrijeceu. — Você é mesmo sem coração. Eu trouxe você a este mundo. Mesmo que morra, ainda será minha filha. Acha que pode simplesmente me renegar?
Ele resfolegou, frio, e acrescentou: — Se não me reconhecer, vou às autoridades. Faço sua família inteira passar vergonha.
Willow empalideceu de susto, a incredulidade brilhando nos olhos: — Você… você não passa de um canalha!
Daniel esboçou um sorriso traiçoeiro e tornou a se sentar: — Canalha sou eu, ou é você? Você só está agarrada à casa do duque por riqueza. Não venha bancar a nobreza comigo.

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