Fermin levantou-se para partir. Henry e Eloise o acompanharam até o portão e só se endireitaram depois de ver a carruagem desaparecer ao longe.
O olhar afiado e autoritário de Henry varreu todos os presentes, e ele trovejou: "Todos vocês, venham aqui!"
A multidão o seguiu, enquanto Willow lançava um olhar nervoso para Athena. Para sua surpresa, a expressão de Athena permanecia serena, como se não fizesse ideia do motivo da fúria de Henry.
Willow apertou os lábios, calada, e se aproximou um pouco mais de Eloise.
Assim que chegaram ao grande salão, Henry fulminou Athena com um olhar tomado de fúria.
"E o que foi que eu fiz de errado?" Athena sustentou o olhar dele, o tom desafiador.
"Quem mandou você se intrometer e denunciar às autoridades? Você tem noção do desastre que trouxe para esta casa? Se não fosse a intervenção do príncipe Fermin, Joseph já estaria morto!" Só de mencionar o assunto, o rosto de Henry empalideceu de raiva.
Desde que Athena voltou, vinha batendo de frente com a família a cada passo.
Ele achara, no início, que era apenas ressentimento e que, com o tempo, ela se aquietaria. Mas, nesses últimos dias, só ficou mais ousada.
De repente, Henry percebeu que não podia mais tolerá-la.
Ao ver a ira de Henry, Eloise fitou Athena com tristeza e suplicou em voz baixa: "Athena, por favor, não seja tão teimosa. Faça as pazes com seu pai."
Os olhos dela estavam vermelhos. A voz tremia de emoção. "Você realmente errou. Aconteça o que acontecer, Joseph ainda é seu irmão. Como pôde fazer algo tão cruel? Esqueceu como ele costumava protegê-la quando era pequena?"
Athena soltou um escárnio. "Joseph me proteger?"
"Não protegia?" Henry retrucou.
Athena lançou um olhar para Joseph, que desviou os olhos, culpado, antes de enrijecer a postura, como se fosse mesmo o justo, tal como Eloise afirmava.
Mas aquilo não era verdade.
"Naquela época, quando você matava aula e o pai queria puni-la, não foi o Joseph quem implorou por você?" disse Eloise, com o coração na voz. Ela realmente não queria ver os irmãos se destruindo.
Eram uma família, e ainda assim tramavam uns contra os outros.
Willow, apoiando o braço de Eloise, acrescentou suavemente: "Mãe, por favor, não fique tão abalada. Athena está só confusa por enquanto. Quando recuperar o juízo, não vai repetir esses erros."
Eloise engasgou, sem conseguir falar. O olhar que lançou a Willow estava cheio de ternura e gratidão.
"Athena, admita logo seu erro", apressou Willow, aflita. "Não vê como a mãe está transtornada?"
Athena sentiu ondas de repulsa ao encarar a fachada hipócrita de Willow. Soltou um sorriso frio. "O que eu faço não é da sua conta. Poupe-me do seu teatrinho."
Willow ficou chocada com a resposta. Baixou a cabeça, os olhos marejados.
Esforçando-se para conter as lágrimas, falou, profundamente magoada: "Eu sei que você me odeia. Afinal, tomei a sua identidade e o amor do pai. Eu mereço isso..."
Ao ouvir aquilo, a expressão de Henry suavizou com dor ao mirar Willow. Quando voltou os olhos para Athena, estavam cheios de frieza. Às vezes, ele realmente desejava que Willow fosse sua filha de sangue, e não Athena, a rebelde que o enfurecia sem cessar.
Eloise, igualmente angustiada, disse a Willow: "Não fale bobagens. Vocês duas são minhas filhas."
Mas suas palavras não tocaram Athena. Porque Athena sabia que nunca fora. Nunca foi aquela que Eloise guardava como joia na palma da mão.
"Quem matava aula naquela época era sempre o Joseph, não eu", disse Athena, com um sorriso gelado. "Ele pedia clemência só porque tinha medo de eu desmascará-lo."
Ela olhou para Joseph, agora em pânico, e continuou: "Duque Henry, se não acredita em mim, sinta-se à vontade para revistar o quarto dele. Vamos ver se não tem sujeira escondida. Ao longo dos anos, ele só ficou mais hábil no jogo e na devassidão."
As palavras soavam perigosamente verossímeis.
Logo, os criados saíram com uma pilha de objetos e os dispuseram diante de Henry: dados de jogo e alguns cadernos grossos.
"O que é isso?" Henry perguntou, confuso.
Joseph soltou um grito apavorado. "Pai, não é nada! Não é nada!"
Quanto mais desesperado ele se mostrava, mais suspeito parecia.
Henry avançou e abriu os cadernos.
Ficou paralisado. Eram ilustrações sexualizadas e explícitas. Os volumes espessos estavam repletos delas.
Ao lado, havia sachês femininos e peças íntimas.
Mas a descoberta mais chocante foi um pacote de Pó das Cinco Pedras.
Era um estimulante que induzia forte excitação e podia causar vício. Já fora banido havia muito tempo. E, no entanto, foi encontrado no quarto de Joseph.
Os olhos de Henry ficaram injetados de sangue. A fúria subiu-lhe à cabeça, deixando-o tonto e desorientado.
Ele cambaleou, e Eloise gritou ao correr para ampará-lo. "Meu senhor, por favor, não se exalte demais."
Ela o ajudou a recuperar o fôlego enquanto lançava um olhar furioso para Joseph. "Ajoelhe-se e admita seu erro!"
"Pai! Pai! Eu fui levado por más influências! Por favor, me perdoe desta vez!" Joseph soluçou.
Desta vez, ele estava realmente aterrorizado.
Beber e se entregar à devassidão talvez lhe rendesse uma surra. Mas o Pó das Cinco Pedras tocava diretamente no limite intransponível de Henry.

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