Entrar Via

A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 128

Ray lançou a Michael um sorriso provocador e, em seguida, baixou a cortina da carruagem.

Quando a carruagem começou a se mover, Michael tentou pará‑la de novo, mas Willow agarrou‑se a ele com força.

Ela disse: “Michael, não corra atrás dela. A Athena já encontrou a própria felicidade. Você deveria se alegrar por ela.”

Com os olhos avermelhados, Michael acompanhou a carruagem enquanto ela se afastava cada vez mais, até desaparecer. Era como se todas as forças tivessem se esvaído do seu corpo. Ele cambaleou.

Virando‑se, lançou a Willow um olhar carregado de acusação. “Agora há pouco… por que você disse tudo aquilo?”

Um lampejo de medo passou pelos olhos de Willow. As lágrimas brotaram de imediato; ela mordeu o lábio e fitou Michael, confusa.

Ela disse: “Michael, você está me culpando? Mas a Athena e o príncipe Ray… Você viu. Eles vão ficar noivos.”

Os olhos de Michael arderam de fúria. Ao ouvir as palavras dela, sua voz se elevou: “Willow, é bom que você seja tão inocente quanto finge ser.”

Mesmo que antes estivesse cego, agora via com nitidez: Willow tinha planejado tudo.

Com medo de que Athena voltasse a se enredar com ele, ela provocou Ray e Athena até que assumissem o relacionamento em público.

Agora que admitiram às claras, Ray terá de assumir a responsabilidade.

O coração de Willow tremeu sob aquele olhar cortante. Ela sacudiu a cabeça, desesperada. “Não, Michael, eu só queria que a Athena encontrasse a felicidade. Além disso, a rainha Gale já planejava uma aliança matrimonial com o ducado. Você não viu o adorno de cabelo que a Athena usou da última vez?”

Chorando, com lágrimas em cascata, ela disse: “Nós estamos prestes a nos casar, Michael. Você não quer mais se casar comigo?”

Os soluços dela deixaram Michael agitado. Afinal, haviam crescido juntos; ele conhecia o temperamento dela. Abrandou um pouco a voz.

Michael suavizou o tom: “Nosso casamento não vai mudar. Você está pensando demais.”

Willow continuou a chorar, e ele não teve alternativa senão dizer: “Vou acompanhá‑la de volta. Você escapuliu hoje por causa da Athena. Sua preceptora certamente vai ficar furiosa. Se eu for com você, talvez pegue mais leve.”

Só então Willow assentiu de leve, e um traço de alívio enfim surgiu em seu rosto.

*****

Ray fez questão de acompanhar Athena até o portão dos fundos do ducado.

Antes de partir, apertou com força a mão dela. “Espere por mim, Atheny.”

A alegria em seu rosto não se dissipou nem por um instante. Era a primeira vez que Athena o via sorrir daquele jeito.

Ray sempre fora bonito, embora reservado. Agora, com aquele sorriso aberto, era como um sol de inverno acolhedor, ofuscante de encarar.

Especialmente a pequena pinta na ponta do nariz, que o tornava ainda mais cativante.

Athena sorriu de leve. “Mas e quanto a…”

“Eu falo com minha mãe. Você não precisa se preocupar.” Com medo de que ela voltasse atrás, Ray lançou às pressas um pingente de ouro pela janela e partiu apressado.

Athena ficou junto ao portão, segurando o pingente de ouro, com um sorriso amargo.

Gale sempre a detestara, e ela havia prometido à princesa que não se envolveria com Ray.

Agora, rompera aquela promessa.

Athena massageou as têmporas. “Como as coisas chegaram a esse ponto? Deixa para lá. Um passo de cada vez.”

Entrou pelos fundos sem alarmar ninguém.

Depois de pegar um resfriado, sentia o corpo febril. Trina preparou um banho quente, e Athena se deixou ficar na água antes de cair em sono profundo.

Eloise sacudiu a cabeça, fraca. “Dorothea, basta de tolices.”

“Sim,” respondeu Dorothea, respeitosa.

“Athena, eu só quero saber o que aconteceu hoje.” A preocupação de Eloise parecia genuína. Ela mordeu o lábio. “Matthew está desaparecido há horas. Willow disse que ele a levou para um passeio. É verdade?”

O coração de Athena gelou.

Eloise obviamente sabia que Matthew a sequestrara, mas fingia ignorância.

Não perguntou uma única vez pelo que Athena passara. Toda a sua preocupação era com o filho.

E ainda dizia amar Athena, tratá‑la bem. Athena não queria esse tipo de amor.

Reprimindo o ódio que fervia em seu peito, ela abriu um sorriso leve para Eloise. “Sim, lorde Matthew me levou para um passeio. Mas, no meio do caminho, disse que tinha assuntos a resolver e foi embora. Por quê? Ele ainda não voltou?”

“Foi embora? Para onde?” perguntou Eloise, em sobressalto.

Athena deu de ombros, impotente. “Ele não disse. Talvez seja melhor perguntar a outra pessoa.”

“Mas a Willow disse que você foi a última a vê‑lo”, insistiu Eloise, cada vez mais desesperada, mas ainda cautelosa, com medo de irritá‑la.

Num tom conciliador, acrescentou: “Ele às vezes é impulsivo, mas não tem más intenções. Se a ofendeu, por favor, não guarde rancor. Athena, você deve saber onde ele está. Por favor, me diga.”

Eloise estava quase chorando. Com calma, Athena desfez as ataduras do próprio pulso.

Revelou a carne ferida, com marcas de corda, fundas e vermelhas. “Sem más intenções? Então como acabei assim? Se tivesse más intenções, eu ainda estaria viva?”

Ela suspirou. “Lady Eloise, não se deve fechar os olhos para o que é certo e o que é errado. A senhora diz que se importa comigo, mas é assim que demonstra?”

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Ascensão da Menina Indesejada