Eloise deu um passo à frente para ajudar Athena a se levantar, mas Nicolas bloqueou seu caminho. "Acompanhem a Lady Eloise de volta ao quarto."
As criadas não hesitaram. Conduziram Eloise com gentileza, porém com firmeza.
Athena manteve o olhar fixo à frente, expressão indecifrável, olhos calmos e distantes.
Se não fosse pela doença de Margaret, ela não teria ficado mais um segundo na propriedade do duque. Estar ali já lhe embrulhava o estômago.
Logo, o pátio esvaziou. Todos tinham ido embora.
Siena e Aliza ficaram de lado, cabeças baixas, mal ousando respirar.
Nicolas dera ordens rígidas — ninguém podia se aproximar dela. Mesmo que quisessem ajudar, não podiam.
A chuva encharcava as vestes de Athena, grudadas à pele. Ela lançou um olhar a Siena e Aliza e disse, em voz baixa: "Podem ir."
Pensou: "Elas não são realmente minhas. Não faz sentido sustentar uma farsa. Por que se desgastariam fingindo lealdade só para inglês ver?"
Mas, no instante em que falou, percebeu o quanto sua voz estava rouca — áspera, seca, quase irreconhecível. A dor no peito voltou a latejar, aguda e implacável. Dizer que não se importava… era mentira.
Siena e Aliza trocaram um olhar. Nenhuma se moveu. Permaneceram onde estavam, em silêncio, ficando na chuva ao lado dela.
Siena não aguentou mais. Murmurou entre dentes, a frustração escorrendo na voz: "Minha senhora, por que precisa ser tão teimosa? Qual é o sentido disso? Bastava dizer meia dúzia de palavras mansas e teria evitado tudo isso."
Uma palavra de submissão e ela não estaria ajoelhada ali, marcada e punida. Siena pensou: "Por que ela não pode ser mais como Lady Willow — tão afável, tão boa em conquistar as pessoas? Em vez disso, torna tudo mais difícil para si… e para nós."
Athena não respondeu. Seus olhos fitavam o vazio, desfocados.
Pensou: "Teimosa? Será que fui mesmo teimosa?" Ela tentou — tentou tanto — viver em paz com eles. Mas eram eles que não a deixavam em paz. Não importava o que fizesse, não permitiam que a deixassem seguir adiante.
Não sabia quanto tempo passara. A dor no corpo se esmaeceu até virar dormência. A garganta arranhava como lixa. Tudo diante de si se desfocava.
Acima, o sol ardia alto e brilhante no céu — mas ela não sentia um fiapo de calor.
De repente, vozes se aproximando rasgaram a névoa atrás dela.
Aliza se virou para olhar. Nicolas estava de volta — e com ele, o próprio Henry. Ambos tinham o semblante cansado, cobertos pela poeira e pelo vento da estrada.
Mas Willow não estava em lugar algum.
Ainda abalada pela noite anterior, Siena deixou escapar um leve arquejo. "Lorde Nicolas e Lorde Henry voltaram…"
Athena soltou um riso baixo, amargo. "Então. A encontraram. Deixe eu adivinhar — ela chorou, não foi? Disse que não podia voltar para casa a menos que eu a perdoasse. Acertei?"
O desdém em sua voz veio sem filtros, cortando o ar. Nicolas e Henry ficaram paralisados, estupefatos — porque ela acertara em cheio.
Willow tinha voltado para uma aldeia remota nos arredores da cidade. Quando a encontraram, seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar.
Ao vê-los, pareceu querer correr para os braços deles — mas se conteve.
Disse que a culpa era de Athena. Que o ressentimento de Athena abrira um abismo entre ela e o resto da família. Que não queria dificultar ainda mais a vida dos pais. Partir fora a melhor escolha.
Henry sentiu uma pontada de irritação. Willow talvez não fosse sua filha de sangue, mas fora ele quem a criara.
Ela nunca disputava, nunca causava confusão. Sempre colocava a família em primeiro lugar. E Athena — ele se perguntou — "Como ela não consegue tolerar alguém assim?"
Seu semblante ficou mais frio quando pousou os olhos nela.
"Willow sempre foi gentil", disse ele. "Cresceu querida e protegida. Não é do tipo que trama ou manipula. Não projete sua amargura nela. Ela se manteve afastada pensando em você."
Então sua voz enrijeceu, sem espaço para réplica. "Você irá até ela — e vai convencê-la a voltar." Não era um pedido. Era uma ordem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Ascensão da Menina Indesejada