Entrar Via

A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 147

Com um estrondo, a xícara caiu no chão e se estilhaçou em mil pedaços.

O som agudo assustou todos na casa, deixando seus rostos lívidos de choque.

Todos pensaram: “Athena está queimando todas as pontes com a família Monson.”

— Athena, que diabos você está fazendo? — Nicolas finalmente perdeu a paciência e bateu com força na mesa.

Apontando para o rosto de Athena, Nicolas a repreendeu: — Você não tem um pingo de vergonha! Quebrando coisas na frente dos seus pais, quem exatamente você está tentando intimidar?

Athena soltou um riso de desdém. — Em vez de perder tempo me xingando, é melhor ajudar o Matthew a limpar a bagunça dele. Afinal, Aliza não consegue ficar de boca fechada. A esta altura, todo mundo na Cidade Pidence já deve saber das atitudes escandalosas dele.

Matthew ficou atônito, sem saber o que fazer, quando o mordomo entrou às pressas.

Com expressão desesperada, o mordomo exclamou: — Más notícias! Aliza saiu correndo pelas ruas, gritando por todo lado que lorde Matthew a obrigou a engravidar e agora quer matá-la.

— Uma multidão enorme se formou, e o escândalo se espalhou pela cidade como fogo em palha seca. O que devemos fazer?

Matthew entrou em pânico no mesmo instante. Lançou um olhar furioso para Athena. — Foi você que deixou a Aliza escapar, não foi?

Athena respondeu com apenas uma palavra, despreocupada: — Foi.

— Você... sua desavergonhada! — Matthew estava prestes a avançar contra Athena quando Nicolas rosnou: — Vai se humilhar ainda mais? Vá buscar a Aliza imediatamente!

Rangendo os dentes de raiva, Matthew sacudiu a manga e saiu pisando duro.

Nicolas soltou um suspiro pesado e cravou o olhar em Athena. — Você só traz problema. Não devíamos ter trazido você de volta.

— Bem, agora é tarde para arrependimentos — retrucou Athena, gelada, fazendo a raiva de Nicolas travar na garganta.

Sob o peso dos olhares de todos, Athena se virou devagar para Henry e Eloise. — Vocês vivem dizendo que se importam comigo. Agora vou dar uma chance: cumpram uma única condição e eu deixo o passado para trás.

Um lampejo de esperança brilhou nos olhos de Eloise, que ia perguntar qual era a condição.

Mas, ao ver a ameaça velada no brilho do olhar de Athena, não ousou insistir.

“Athena nunca pretendeu nos perdoar, muito menos me chamar de ‘mãe’. A condição dela certamente será dificílima para nós”, pensou Eloise.

Os olhos de Henry escureceram enquanto ele perguntava num tom contido: — Qual é a sua condição?

Ele não alimentava expectativa alguma em relação a Athena. Só queria ver o que ela buscava.

— Expulsem Willow e cortem todos os laços com ela — disse Athena, sílaba por sílaba.

Mal Athena terminou, Henry soltou um muxoxo: — De jeito nenhum.

Eloise pareceu aflita, enxugando as lágrimas com um lenço. — Athena, por que precisa ser tão dura? Ela também é sua irmã...

— Desde quando ela é minha irmã? Você por acaso deu à luz a ela? — perguntou Athena.

Sua voz de repente ficou cortante; os olhos, cheios de decepção, pousaram em Eloise. — Ela fingiu ter sido envenenada para me incriminar, fez-me sofrer por três anos e nem poupou minhas aias.

— Thalia teve uma morte trágica. Willow também arrancou a língua de Macy e a matou. E ainda assim você protege uma criatura tão cruel? Só vai acordar quando ela arrasar a propriedade do duque?

Os olhos de Willow se arregalaram de súbito, e as lágrimas passaram a jorrar sem controle.

Ela desabou de joelhos, sacudindo a cabeça num desespero frenético. — Não! Eu não fiz isso. Nada disso é verdade.

Eloise correu para amparar Willow, defendendo-a, aflita: — Athena, não é o que você pensa. Aquelas duas criadas foram expulsas da propriedade por roubo. Elas se aproveitaram da sua inocência e mentiram para você. Nós somos sua família. Não deixe que a enganem.

Willow chorava copiosamente, o rosto sulcado de tristeza, enquanto suplicava: — Mãe, só me deixe ir. Finja que nunca me criou...

Eloise a segurou com força, temendo que Willow fizesse algo desesperado ou fugisse de casa outra vez.

Ao mesmo tempo, o olhar que lançou para Athena encheu-se de ressentimento, como se perguntasse em silêncio: “Como você pode ser tão cruel? Precisa mesmo empurrar Willow para a morte?”

Era exatamente esse cenário que Athena já previra desde o começo.

Por isso, permaneceu absolutamente impassível.

Se algo mudou, foi apenas o gelo no seu olhar, que se aprofundou.

Athena apenas expunha a verdade e, ainda assim, suas palavras caíam como uma tonelada sobre todos ali.

Eloise sentiu como se algo lhe rasgasse o peito. Olhou para Athena com os olhos vermelhos e disse: — Athena, a culpa é toda minha. De agora em diante, vou tratar você bem, se ainda me aceitar como mãe.

Nicolas também suspirou. — Eu só fui rígido com você porque não queria que cometesse erros. Se não basta, vou cuidar mais de você a partir de agora.

Na opinião dele, Athena fazia um chilique infantil e cederia com um pouco de afago.

“Romper laços de família?” pensou. “Que absurdo. Como mulher, para onde ela iria sem a família? E o que as pessoas pensariam?”

Até Henry se dignou a ceder, pela primeira vez.

Seu olhar para Athena amaciou com um calor raro quando disse: — Está bem, chega de birra infantil. Para que remexer no passado distante? Agora que esclarecemos tudo, vou compensar você como deve ser.

A família Monson jamais tivera alguém que rompesse os laços.

E ele certamente não permitiria que Athena fosse a primeira.

“Ela é só uma garota, falando de cabeça quente, nada mais”, pensou.

Willow entrou logo na conversa, a voz trêmula, encarando Athena com os olhos marejados: — Athena, a culpa é toda minha. Eu roubei o amor e a atenção que deveriam ter sido seus. Juro que não vou repetir. De agora em diante, sempre vou abrir caminho para você, está bem?

— Por favor, não fale mais em romper laços. Isso partiria o coração de todos nós.

Ao ver aquelas faces hipócritas, Athena quase riu de escárnio.

“Eles acham que podem varrer todo o meu sofrimento para debaixo do tapete com meia dúzia de palavras ocas”, pensou. “Promessas de mudança? A mesma ladainha de sempre. Ainda bem que eu nunca acreditei.”

Athena soltou uma risadinha, quase zombeteira, atraindo olhares confusos ao redor.

Então viram quando ela tirou o prendedor de cabelo, deixando os fios longos caírem em cascata.

Pegou o punhal e o ergueu contra o próprio cabelo.

Nesse momento, uma voz idosa, porém resoluta, soou do lado de fora: — Esperem!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Ascensão da Menina Indesejada