Athena permaneceu imóvel, o olhar gélido cravado na ama.
Por fora, parecia despreocupada, mas já havia memorizado cada curva do caminho.
Tinha certeza de que, se entrasse naquele quarto hoje, não sairia ilesa.
“Por que não está seguindo em frente?”, apressou a criada, um lampejo de ansiedade cruzando o rosto ao vê-la hesitar no umbral.
Athena sorriu. “Acho que deixei cair meu grampo de cabelo no caminho. Preciso voltar para procurá-lo.”
Dito isso, virou-se de imediato e começou a retornar.
A ama cortou-lhe a passagem com rapidez. “Não se incomode, Milady, mandarei alguém procurar. A recepção está prestes a começar. A senhora deve trocar de traje agora.”
Os lábios de Athena se curvaram num leve sorriso enquanto ela lhe cravava os olhos. “Por que tanta pressa em me enfiar neste quarto?”
O olhar afiado de Athena gelou a espinha da ama.
Forçando-se a recompor os nervos, a ama respondeu com calma: “A senhora gosta de brincar, Milady. Este é o domínio da princesa. Que perigo poderia haver aqui?”
A ama achava que estava perfeitamente composta, mas Athena captou o lampejo de pânico em seus olhos.
Com um meneio ágil de pulso, Athena liberou de sua manga um pó entorpecente que se espalhou no ar.
A ama mal teve tempo de reagir antes que a força lhe faltasse e desabasse no chão.
“Você…” A ama encarou Athena, horrorizada, a língua pesada enquanto lutava para articular palavras.
Athena soltou um leve riso e se virou para sair.
Nesse instante, uma risada arrepiante cortou o ar e alcançou seus ouvidos. “Ora, ora, senhorita Monson… já que veio até aqui, por que a pressa em ir embora?”
De repente, um grupo de homens armados irrompeu do lado de fora, à frente deles ninguém menos que Wade Mcgee, desaparecido havia dias.
Um brilho malicioso lampejou nos olhos de Wade ao encarar Athena com intenção predatória.
Athena só havia encontrado Wade uma vez, na família Mcgee.
Ele provocou Ray e tentou avançar sobre Athena, mas acabou devidamente colocado em seu lugar.
Athena o envenenara, deixando o corpo dele coberto de furúnculos.
Ao que parecia, mal tinham cicatrizado e ele já estava de volta às maldades.
Athena firmou os pés, avaliando o entorno com calma.
O pátio estava apinhado de homens, prova clara de que tudo fora premeditado.
Wade devia ter recebido o aval de Lizzie para agir com tamanha ousadia.
Athena pensou: “Veio atrás de vingança hoje?”
Manteve a compostura e não revidou, calculando em silêncio as chances de escapar de Wade.
Dadas suas habilidades, era evidente que não conseguiria fugir de tantos homens.
Restava apenas uma opção.
“Vou me usar como isca e, então, procurar a brecha para escapar”, concluiu, sombria.
“Sr. Mcgee, o que o senhor pretende?”, Athena fingiu medo, recuando dois passos cautelosos.
Representou à perfeição, sem uma fenda sequer na máscara.
“É só uma garotinha assustada. Nada ameaçadora”, pensou Wade.
A expressão dele se afrouxou num sorriso de desdém. “O que mais eu faria? Estou encantado por você e vim propor… um arranjo mutuamente vantajoso.”
A cada passo que Athena recuava, Wade avançava um.
A visão do pânico encenado o excitava cada vez mais.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Ascensão da Menina Indesejada