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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 41

A surpresa de Ray estava estampada no rosto. Athena, por instinto, baixou os olhos para si—nada parecia fora do lugar.

Ela lhe lançou um olhar interrogativo. Ele respondeu com um leve sorriso indecifrável. "Vamos."

Pensando bem, a cor da roupa dela combinava muito bem com a dele.

"Posso saber para onde estamos indo?" perguntou Athena, enquanto caminhavam.

Os lábios de Ray se curvaram num meio sorriso. "Você vai descobrir em breve."

Ninguém os deteve quando saíram da propriedade do duque, nenhum criado fez perguntas. Athena supôs que Ray já havia avisado a casa.

Do lado de fora, uma carruagem os aguardava.

De pé junto ao portão, Athena observou o mundo além dos muros com uma estranha sensação de distanciamento. Já fazia mais de um mês desde que ela havia retornado—e hoje era a primeira vez que punha os pés lá fora.

Então era isso que significava ar fresco. Até o corpo parecia mais leve, mais livre.

Ray lançou-lhe um olhar e não conteve a risada. "Você não parece alguém saindo para um passeio. Parece alguém recém-libertado da prisão."

Athena esboçou um sorriso tênue. Para ela, a propriedade do duque era uma prisão.

Ray estendeu a mão a partir da carruagem—dedos longos, articulações limpas, elegantes como joia polida.

Ela hesitou um instante e, então, pousou a mão na dele. Com um puxão leve, ele a ajudou a subir na carruagem.

"Pelo seu temperamento, acho que você e minha mãe vão se dar muito bem", disse ele, cruzando as mãos atrás da cabeça com uma naturalidade ensaiada, a postura relaxada e confiante.

Athena permaneceu em silêncio. Sabia perfeitamente que Gale não gostava dela.

A aliança matrimonial entre as famílias não nascera de afeto nem de boa vontade. Se algo, parecia que a família Mcgee não tivera melhor opção.

"Ainda assim... por que eu?" perguntou, após uma pausa. O tom era cortês, mas direto. Uma pergunta ousada, talvez até presunçosa—mas melhor isso do que ficar no escuro.

Ela olhou para Ray, meio esperando que ele a despachasse. Para sua surpresa, ele soltou uma risada breve.

"Quer a verdade", disse ele, "ou a versão bonitinha?"

Athena pensou por um momento. "A verdade."

Já ouvira mentiras açucaradas demais. Mesmo que doesse, ao menos seria real.

Ray a fitou por um instante—e então riu de novo, divertido com a franqueza dela. "Para ser honesto, não me importa muito quem acabará sendo minha esposa. Mas isso não significa que eu aceitaria qualquer uma."

Ele fez uma pausa, e a luz nos olhos diminuiu um pouco. "Você não me incomoda. E, se tem de ser alguém—que seja você."

E, assim, Athena entendeu.

Era um casamento político. Ray não a escolhera—apenas aceitara o que foi arranjado.

Mas eles não eram iguais. Ray talvez seguisse o destino por indiferença—ela, não.

Para ela, esse casamento era um meio para um fim. Uma chance de escapar da propriedade do duque. Se casar-se com os Mcgee pudesse ajudá-la, ela aceitaria.

Logo, a carruagem parou.

Athena ergueu a cortina e estacou. Haviam chegado ao Solar Xander.

Ray, enfim, falou. "A saúde de Xander está por um fio. Minha mãe me pediu para trazê-la para uma visita."

Claro. Gale provavelmente queria aproveitar a oportunidade para apresentar Athena formalmente, oficializando o noivado.

Ray foi o primeiro a descer. Quando chegou a vez dela, a mão dele já a aguardava.

Ela pousou os dedos de leve na palma dele. Ele deu um leve puxão, firmando-a ao descer.

No instante em que seus pés tocaram o chão, ela sentiu—aquele olhar afiado e gelado.

Ergueu o rosto—e viu Michael parado ali, os olhos cravados nas mãos entrelaçadas deles, um frio no olhar tão intenso que parecia gelo subindo pela pele dela.

O pânico cintilou em seu peito. Instintivamente, tentou soltar a mão.

Athena costumava seguir Michael, devotada por inteiro. Agora, agia como se ele fosse um estranho. Uma reviravolta dessas é difícil de engolir para qualquer homem.

O humor de Ray melhorou, e mais de uma vez ele trocou olhares divertidos com Athena enquanto caminhavam—pequenos gestos cheios de sentido não dito.

O afeto encenado deles era como sal nos olhos de Michael.

Athena ignorou o olhar ardente atrás de si e voltou a atenção para o solar de Xander.

Pavilhões elegantes, corredores sinuosos, jardins de pedras—cada ângulo era um quadro perfeito. Mas, apesar da beleza, o lugar parecia frio e sem vida, como se lhe faltasse o calor de gente de verdade.

"Que desperdício de um jardim tão belo", pensou.

Logo, um intendente apareceu e conduziu os três a uma saleta para repouso.

Dadas as condições de Xander, não era possível que todo convidado o visitasse pessoalmente. Todos sabiam que estavam ali apenas para marcar presença e demonstrar preocupação cortês.

Ray e Michael se sentaram, a rivalidade silenciosa em pausa por um instante, sorvendo café em quietude.

Alguns outros oficiais também estavam presentes.

O Solar Xander era relativamente pequeno. Xander vinha adoecendo há anos e passava a maior parte do tempo se recuperando numa villa de águas termais.

À exceção da princesa e dos ramos secundário e terciário da família, apenas o próprio Xander ainda vivia na propriedade principal.

A princesa estava frágil demais para receber visitas, de modo que coube ao irmão mais novo de Xander—Geoffrey Cavendish, do segundo ramo—cuidar das formalidades.

Embora também filho da princesa, era muito menos capaz que Xander.

Depois de trocar algumas gentilezas, ele se retirou.

Assim que saiu, a atenção no aposento mudou sutilmente. Todos os olhos se voltaram para Athena, Ray e Michael.

As expressões eram de curiosidade e desconfiança. Pessoas trocaram olhares silenciosos; a tensão no ar era espessa e estranha.

Justo quando todos especulavam em silêncio, o intendente retornou e foi direto até Athena. "Lady Athena, Sua Alteza deseja vê-la."

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