Acordei antes do despertador, ouvindo o som distante dos galos e o ranger suave da casa despertando. Jana ainda dormia na cama ao lado, encolhida, o rosto sereno como se nada no mundo pudesse perturbá-la. Observei-a por alguns segundos, tentando memorizar aquela imagem simples, doméstica, íntima. Em pouco tempo ela voltaria a ser apenas uma lembrança distante, atravessando oceanos.
Desci para a cozinha com cuidado, sentindo o cheiro familiar de café fresco e pão aquecendo. Quitéria já estava de pé, como sempre, mexendo em panelas, organizando a mesa com movimentos seguros.
— Bom dia, menina — ela disse, sem se virar. — Dormiu bem?
— Dormi, sim — respondi.
Ajudei Quitéria a pôr a mesa. Pouco depois, Jana apareceu na porta da cozinha. Usava uma camisa clara e jeans, o cabelo preso de qualquer jeito. Parecia bem à vontade.
— Bom dia — disse ela.
— Bom dia, moça — Quitéria a cumprimentou com desconfiança, como sempre fazia quando alguém novo chegava.
Puxou uma cadeira e perguntou:
— Gosta de café preto ou com leite?
— Geralmente eu bebo café preto, porque os leites em caixas que vendem em mercados tem um gosto horrível. Mas hoje vou experimentar o delicioso leite da fazenda — Jana falou e se sentou ao meu lado.
Alguns minutos depois, Adriano entrou na cozinha com passos firmes, já vestido para sair. Camisa de manga comprida, botas limpas. O olhar passou por mim, rápido, neutro, e então pousou em Jana.
— Bom dia — ele falou naquele jeito frio de sempre.
— Adriano, — eu disse, endireitando a postura. — Essa é Jana, minha amiga.
E olhando para Jana, completei:
— Jana, este é o Adriano, o meu... patrão.
Adriano estendeu a mão sem hesitar.
— Prazer — disse, seco, cordial. — Pode ficar aqui o tempo que quiser.
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