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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 59

Depois que nos levantamos do chão, eu simplesmente não consegui aceitar a ideia de Jana ir embora naquele mesmo dia. Caminhamos em direção ao casarão devagar e, antes mesmo de pensar direito, eu já estava falando.

— Fica, Jana — disse, parando no meio do caminho. — Pelo menos esta noite. Por favor.

Jana me olhou surpresa, os olhos atentos, como se estivesse medindo o peso daquele pedido.

— Marja, eu não quero atrapalhar…

— Você não atrapalha — interrompi. — Nunca atrapalhou.

— Tem certeza? — ela perguntou.

Respondi com um sorriso.

Houve um segundo de hesitação, e então ela sorriu daquele jeito que sempre desarmava tudo em mim.

— Tá bem. Eu fico.

Assim que chegamos ao casarão, procurei Mundico. Ele estava no corredor lateral, carregando algumas ferramentas, e ergueu a cabeça quando me viu.

— Mundico, será que você pode me ajudar? — perguntei.

— Pois não, menina.

Expliquei rapidamente que uma amiga minha dormiria ali naquela noite e pedi que providenciasse uma cama para ficar no meu quarto e não ocupar outro aposento da casa. Ele assentiu sem questionar, com aquela eficiência silenciosa que parecia fazer parte dele.

— Dou um jeito agora mesmo. Só vou terminar um serviço rápido que o patrão me pediu para fazer e vou lá em cima resolver isso.

Subi com Jana para o quarto enquanto Mundico resolvia tudo.

Ela abriu a sacola sobre a cama e começou a tirar algumas roupas, colocando-as cuidadosamente sobre a cadeira. Observei seus gestos por um instante, sentindo uma estranha mistura de conforto e melancolia. Era bom ter alguém da minha intimidade ali comigo, mas também era um lembrete de que aquela presença era temporária.

— Você tem certeza que está tudo bem se eu ficar? — ela perguntou, enquanto dobrava uma blusa.

— Tenho — respondi.

— Tenho medo de o seu patrão não gostar de mim.

— Ele não vai se incomodar. Não se preocupe. O Adriano nesse sentido é gente muito boa.

Deixei Jana organizando suas coisas e desci. A casa estava mais silenciosa do que de costume, como se respirasse devagar naquele fim de tarde. Fui até a cozinha com a intenção clara de falar com Adriano, porque precisava lhe dar uma explicação sobre a presença de Jana na casa.

Ele estava encostado na bancada, uma xícara de café nas mãos. O cheiro forte do líquido recém passado preenchia o ambiente. Quando entrei, ele ergueu o olhar, rápido, e depois voltou a atenção para a xícara, como se aquilo fosse mais interessante.

— Adriano — chamei, com cuidado.

— Oi — respondeu, sem levantar a cabeça.

Aproximei-me um pouco, sentindo o coração bater num ritmo estranho.

— Hoje eu recebi uma visita… uma amiga minha, a Jana.

Ele me ouvia em silêncio.

— Ela veio se despedir — continuei. — Vai estudar fora. E… eu pedi para ela dormir aqui esta noite.

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