Enfim, chegou o dia do aniversário da cidade. Eu, Jana e Cecília, chegamos à festa por volta das cinco da tarde, quando o sol já começava a perder força, enquanto a cidade parecia ter acordado de vez. De longe, antes mesmo de estacionarmos, eu já sentia a vibração do lugar: música alta, vozes misturadas, risadas soltas, o ronco constante dos brinquedos do parque e aquele cheiro inconfundível de festa de interior — milho cozido, pastel, açúcar queimado, churrasco. Tudo junto, tudo intenso.
Saltei do carro primeiro e ajudei Cecília. Jana veio logo atrás, ajeitando o vestido e girando devagar, encantada.
A praça principal estava tomada. O palco montado ao fundo era grande, iluminado, com caixas de som espalhadas por todos os lados. Pessoas circulavam com copos na mão, crianças corriam, casais se formavam e se desfaziam a cada esquina improvisada. Era o primeiro dia da festa, e isso se sentia no ar: havia uma expectativa vibrante, quase elétrica.
Em certo momento, a música diminuiu. Um burburinho atravessou a multidão, e logo uma voz firme ecoou pelos alto-falantes. O prefeito subiu ao palco. Pediu a atenção de todos, agradeceu a presença, falou da importância do aniversário da cidade, das tradições, da união do povo. Cecília apertou ainda mais minha mão com o som amplificado da voz, mas não demonstrou medo — apenas atenção.
Então veio o momento tão esperado por mim.
— Gostaria de agradecer, de forma especial — disse o prefeito — ao principal patrocinador desta festa, um homem que sempre acreditou nesta cidade e nunca deixou de apoiar nossa gente: Adriano Pinheiro.
Houve aplausos, assobios, comentários animados. Meu coração deu um salto estranho, involuntário. Meu olhar ficou preso na direção do palco.
Adriano subiu os degraus com passos firmes. Usava chapéu, camisa clara bem ajustada ao corpo, jeans escuro e botas. Um verdadeiro cowboy, pensei, sem conseguir evitar. Estava muito bonito. Havia nele uma postura segura, quase imponente, mas o rosto permanecia sério, contido, como se estivesse ali por obrigação.
— Uau! Que homem! — Jana falou dirigindo o olhar para ele.
Dei um leve beliscão no braço dela.
O prefeito falava, elogiava, citava o nome da fazenda, a contribuição para a cidade. Adriano apenas assentia, agradecia com um gesto discreto, dizia poucas palavras ao microfone. Não sorriu muito. Não precisava. A presença dele falava por si.
Fiquei alguns segundos parada, admirando aquele homem que conseguia ter comportamentos tão contraditórios e mesmo assim ele era único. Cecília também o olhava com admiração. Quando os aplausos cessaram e a música voltou, respirei fundo e apertei a mão de Cecília com carinho.
— Vamos ver os brinquedos? — perguntei.
Ela assentiu com a cabeça.
Seguimos em direção ao parque de diversões. As luzes piscavam, mesmo com o céu ainda claro, criando um espetáculo próprio. Cecília parou de repente, puxando minha mão, e apontou para a roda-gigante. Seus olhos brilhavam.
— Quer ir ali? — perguntei, abaixando-me um pouco.
Ela confirmou com a cabeça, firme.
Jana riu.


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