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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 65

Adriano me encarou por um tempo longo demais. Entrei na cozinha ainda sentindo o peso da surpresa, como se tivesse sido pega em flagrante por algo que eu mesma não sabia explicar.

Eu estava arrumada demais para quem tinha decidido ficar em casa: o vestido curto colando no meu corpo, as botas batendo forte no chão, o cabelo solto caindo sobre os ombros, a maquiagem intacta.

Adriano estava ali. De verdade. Não como uma lembrança insistente ou uma ausência barulhenta, mas ali, ocupando espaço, apoiado na bancada como se aquela fosse a coisa mais natural do mundo.

— Por que você ainda está aqui? — ele perguntou.

Demorei um segundo a responder. Cruzei os braços, mais para me proteger do que por qualquer outra razão.

— Cecília não quis ir. Ela já está dormindo.

Ele me observou por alguns instantes. Desceu o olhar para as minhas roupas, me estudando, me avaliando. Depois disse, com simplicidade:

— Benedita ainda está na casa.

Antes que eu pudesse reagir, ele se virou e caminhou até a escada.

— Benedita! — chamou, com a voz firme que ecoava fácil pelos corredores.

Voltou para a cozinha enquanto eu permanecia parada, o coração acelerado, uma sensação estranha se formando no estômago.

Benedita apareceu logo em seguida, ajeitando o vestido.

— Pois não, seu Adriano?

— Cecília já dormiu. Preciso que você fique de olho nela esta noite.

Benedita concordou sem fazer perguntas.

— Pode deixar.

Foi então que Adriano se virou para mim. Sem dizer nada, segurou meu braço — firme, mas não rude — e me conduziu em direção à porta. O gesto foi tão inesperado que eu apenas acompanhei, sentindo o calor da mão dele atravessar o tecido fino do vestido.

— Se já está pronta, então vamos. — disse apenas. Não como uma ordem, mas como uma constatação.

Capítulo-65 1

Capítulo-65 2

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