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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 66

O último dia da festa amanheceu com um silêncio diferente, como se a própria fazenda respirasse mais devagar depois de dois dias de agitação. O céu estava limpo, de um azul quase branco, e o sol já prometia calor antes mesmo das oito da manhã.

Tomei café na cozinha com Jana e Quitéria, mas minha cabeça estava longe. Jana falava animada sobre receitas, sobre como a cozinha da fazenda parecia saída de um livro antigo, e Quitéria ria, orgulhosa, mexendo panelas e comentando temperos como quem fala de filhos.

Depois do café, Jana ficou por ali mesmo, curiosa, ajudando Quitéria a cortar legumes e fazendo perguntas. Eu aproveitei para sair com Cecília. Precisava daquele tempo só nosso, longe do barulho, longe das pessoas, longe até de mim mesma.

Peguei o chapéu de Cecília, passei protetor nela com cuidado, ajeitei o vestidinho leve e saímos. Caminhamos devagar pelo jardim lateral do casarão, onde o verde era mais intenso e o vento corria solto. Cecília segurava minha mão com força, como sempre fazia quando o mundo parecia grande demais para ela.

Seguimos pelo caminho que contornava algumas árvores antigas. Cecília parava para observar formigas, pedras, folhas secas. Eu me abaixava ao lado dela, apontava, sorria.

Enquanto caminhávamos, pensei na festa que ainda aconteceria à noite. Último dia. O encerramento. As luzes, a música, as pessoas indo embora no dia seguinte.

Já chegando ao casarão, perto do horário do almoço, vi a picape se aproximando pela estrada de terra. Adriano estacionou na frente do casarão e desceu.

Cecilia, caminhou ao meu lado, em direção à varanda e entrou. Eu ainda estava a alguns metros de distância, quando percebi que ele não entrou imediatamente. Ele esperou.

Diminuí o passo. Meu coração também diminuiu, como se precisasse se preparar. Quando me aproximei, ele estava apoiado na lateral da picape, o chapéu na mão, o rosto sério, mas calmo. Não havia pressa nele, nem aproximação demais.

— Marja — disse, quando eu parei diante dele.

Respondi apenas com um aceno de cabeça.

— Já falei com Benedita — começou. — Ela vai ficar com Cecília hoje à noite novamente.

Franzi levemente a testa, surpresa.

— Eu percebi que Cecília se estressou com o barulho da festa — ele explicou com a mesma voz controlada. — Então…Você está livre para aproveitar o último dia da festa.

— Obrigada — respondi, sem saber o que mais dizer.

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