Eu acordei com o corpo inteiro doendo, como se tivesse sido atropelada. A primeira sensação foi a da cabeça latejando, uma dor surda, profunda, que parecia pulsar no ritmo do meu coração.
Tentei levar a mão à testa e não consegui. Foi aí que o pânico começou a se infiltrar, devagar, como um veneno frio.
Minhas mãos estavam amarradas à frente do corpo, presas por cordas grossas, ásperas, que queimavam a pele a cada movimento involuntário. Tentei mexer as pernas. Nada. Os pés também estavam amarrados. Um nó apertado, firme, feito por alguém que sabia exatamente o que estava fazendo.
Respirei fundo, ou tentei. O ar tinha um cheiro forte de óleo velho, poeira e algo metálico. Abri os olhos com dificuldade. A luz era fraca, entrando por alguma fresta que eu não conseguia ver direito. O teto era baixo demais. As paredes, próximas demais. Levei alguns segundos — talvez minutos — para entender.
Eu estava deitada sobre um colchonete velho, fino, manchado, jogado no chão de metal de um furgão. O furgão. O mundo pareceu girar. A memória voltou em flashes desordenados: a festa, o barulho, a mão segurando meu braço, algo pontudo encostado nas minhas costas, a voz. Aquela voz. O terror voltou com força total, me fazendo engolir um soluço. Gino havia me sequestrado.
Meu corpo começou a tremer sem que eu conseguisse controlar. Eu não sabia se era de frio ou medo. Eu estava usando apenas calcinha e sutiã. Nada mais. A sensação de vulnerabilidade era esmagadora, como se o ar tivesse peso e me pressionasse contra o chão.
— Não… não… — murmurei, embora minha voz mal saísse.
Tentei me sentar. Cada movimento parecia exigir uma força que eu não tinha. O colchonete escorregou um pouco quando consegui apoiar o cotovelo. A cabeça girou novamente, a dor se intensificou, mas eu forcei. Precisava entender. Precisava estar acordada de verdade.
O furgão estava parado. Antes que eu pudesse pensar em qualquer plano — fugir, gritar, bater — ouvi o som que fez meu sangue gelar: a trava da porta sendo destravada.
O rangido metálico da porta se abrindo soou alto demais naquele espaço pequeno. A luz de fora invadiu o interior do furgão, me cegando por um instante. Levei a cabeça para o lado, tentando proteger os olhos. E vi Gino entrar.
Meu estômago revirou. Meu corpo inteiro enrijeceu. O medo era tão intenso que parecia me paralisar por dentro. Ele fechou a porta atrás de si com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo. O clique seco da tranca ecoou como uma sentença.
Eu consegui me sentar no colchonete, apoiando as costas na lateral do furgão. Cada músculo do meu corpo gritava. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele ia explodir em poucos instantes.
Gino se aproximou devagar. Havia algo nos olhos — uma mistura de triunfo e obsessão — que me fez querer desaparecer.
Ele se abaixou à minha frente, ficando na mesma altura que eu. Pude sentir o cheiro dele, próximo demais. Meu corpo reagiu com náusea.
— Finalmente eu te encontrei — ele começou, a voz baixa, carregada de algo que me fez estremecer. — Agora você vai ser minha de verdade.
Meu corpo inteiro se encolheu instintivamente. Balancei a cabeça em negação, lágrimas já escorrendo sem que eu percebesse.
— Eu podia ter te possuído enquanto você estava desacordada — ele continuou falando rápido, uma frase atropelando a outra — mas eu quero que você sinta tudo. Quero que esteja acordada. Quero que entenda. Quero que… goste.
Cada palavra era como uma lâmina. Meus olhos se arregalaram, o terror puro tomando conta de mim. Eu tentava respirar, mas o ar parecia não chegar aos pulmões.
— Por favor... me deixa ir — eu implorei.
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