Depois do almoço ainda continuamos sentados à mesa. Adriano e Leon conversando. Eu e Jana apenas escutando.
Um certo tempo depois Adriano e Leon se levantaram da mesa. Iam para uma reunião no sindicato.
— Descansa, tá? — Adriano falou, se despedindo de mim, tocando de leve na minha mão que estava sobre a mesa.
Os dois saíram falando alto.
Naquele momento senti necessidade de caminhar. Quando me levantei, Jana me acompanhou. Descemos os poucos degraus da varanda e começamos a andar sem pressa, lado a lado, em silêncio. Eu sentia o corpo um pouco cansado, ainda em recuperação, mas a alma estava mais em paz.
Jana andava com as mãos enfiadas nos bolsos do jeans. De repente ela parou de andar. Eu parei também e me virei para ela. O rosto de Jana estava sério, os olhos atentos, cheios de algo que misturava culpa e cuidado.
Ela respirou e disse:
— Você é a minha melhor amiga. A única em quem confio.
— E eu te odeio! — brinquei com ela.
Ela levantou os olhos e sorriu.
Ficamos alguns segundos nos olhando, até que Jana finalmente soltou o ar que parecia estar prendendo há dias. Seus ombros relaxaram um pouco. Voltamos a andar. O caminho nos levou para uma parte mais aberta da fazenda, onde dava para ver ao longe, alguns animais pastando. O som dos insetos se misturava ao canto distante de um pássaro.
— Minha sacola já está pronta — Jana disse de repente, quebrando o silêncio. — Arrumei tudo ontem à noite. Daqui vou para minha casa arrumar as malas e depois partirei.
Meu coração deu um pequeno solavanco.
— Já? — perguntei, mesmo sabendo que aquilo era inevitável.
— Só estava esperando você sair do hospital.
— Texas… — murmurei. — Ainda parece surreal. — Engenharia química não vai saber o que fazer com você.
Ela sorriu, dessa vez com mais leveza.
— Você e Adriano vão se acertar; tenho certeza.
— Adriano é apenas gentil comigo, Jana. Talvez por eu ser a babá da filha dele, gostar da Cecília e ela de mim. Mas o coração dele ainda está ocupado. Ele nunca esqueceu a esposa e talvez nunca esqueça.
Jana me encarou, compreensiva. Eu continuei falando:
— Tem amores que são para a vida toda e acho que é esse o tipo de amor que ele sente por Antonella.
— Talvez você esteja enganada, amiga — Jana falou, beliscando a minha bochecha.
— Eu espero que sim — falei, sem acreditar no que dizia.


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