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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 81

O nome de Cecília ecoava pelas terras da fazenda através da boca de todos nós que a procurávamos.

Eu seguia Adriano a pé, tentando acompanhar o ritmo dele, mas era impossível. Desde o momento em que ele desceu do carro como um raio, tudo nele parecia movido por um desespero bruto, quase animal. Eu sentia isso no jeito como ele andava, como respirava, como os olhos varriam cada pedaço de terra da fazenda.

E eu ia atrás, com o coração disparado, as pernas trêmulas, a boca seca, repetindo o nome de Cecília em silêncio, como uma oração que eu não ousava dizer em voz alta por medo de ouvir o eco vazio da resposta.

A busca já durava tempo demais. O sol começava a descer e para mim tudo parecia negro. Já havíamos procurado pelas laterais do casarão, pelos currais, pelo galpão antigo. Nada.

Seguimos em direção à outra ponta do rio. Cada passo naquela direção era um golpe no meu peito. O rio sempre me parecera bonito, quase poético, com suas margens largas e a água correndo preguiçosa. Naquele dia, ele era só uma ameaça. Um monstro silencioso.

Eu olhava para a água e imaginava Cecília ali, sozinha, sem falar, sem saber pedir ajuda. A imagem era tão forte que precisei parar por um instante para não cair.

Adriano não parou. Ele foi até a beira, olhou, andou alguns metros rio acima, depois rio abaixo. Mundico e outros empregados faziam o mesmo, espalhados, chamando o nome dela em vozes cada vez mais tensas.

O medo foi se transformando em algo mais pesado, mais denso, quase insuportável. Eu sentia culpa em cada batida do coração.

Foi então que ouvimos:

— Ela está aqui!

A voz veio de longe, mas foi como um trovão. Vinha na direção do pomar.

Adriano saiu correndo antes mesmo de eu entender direito de onde vinha o grito. Ele disparou como se tivesse sido puxado por um fio invisível. Eu tentei correr também, mas minhas pernas não obedeciam. O chão parecia irregular demais, o ar pesado demais. Eu corria e tropeçava, corria e parava para respirar, enquanto o vulto dele se afastava cada vez mais.

Quando finalmente cheguei ao pomar, com o peito queimando, Adriano já estava com Cecilia no colo, apertando-a contra o peito. Ela dormia com o rostinho sujo de terra, os cabelos espalhados.

Olhei para o chão e vi um montinho de palhas secas. Certamente foi o seu refúgio para dormir depois que saiu de casa.

Por um segundo, minhas pernas cederam. Eu senti um alívio tão grande que doeu. Ela estava viva. Respirava. Dormia. Não estava no rio. Não estava machucada. Não estava morta.

Eu me aproximei devagar, com as mãos estendidas, querendo segurá-la em meus braços, porém, Adriano se virou com Cecilia nos braços e seguiu andando na direção do casarão como se não tivesse visto o meu pedido.

Eu fui atrás, engolindo o choro, sentindo que algo estava prestes a se quebrar de vez. Ninguém falava nada. O silêncio era pesado, atravessado apenas pelo som dos nossos passos e pela respiração tranquila de Cecília, ainda dormindo, alheia a tudo que estava acontecendo.

Quando chegamos à frente do casarão, Adriano parou de repente. Com a mão livre, segurou meu braço e me puxou para um canto, afastando-me alguns passos da varanda.

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