Mal tínhamos entrado na mansão quando vi Thales descendo os degraus da entrada apressado, apreensivo pra ver quem sairia daquele táxi.
Ele demorou alguns segundos pra assimilar que a mulher ao lado do pai dele era eu.
Quando finalmente a ficha caiu, começou a sorrir e correu ao nosso encontro.
Com os bracinhos já abertos, se jogou no meu abraço.
— Você cortou o cabelo! — ele disse.
— Cortei.
— Ficou bom.
— Obrigada, Thales.
— E cadê os óculos? Como você tá enxergando sem eles?
Me abaixei até a altura dele e cochichei:
— Tô usando lentes!
Ele ficou alguns segundos me examinando.
— Legal! — respondeu de forma simples, enquanto me abraçava de novo. — Que saudades, Bela! Você voltou pra ficar?
Os olhinhos dele estavam cheios de esperança.
Vinícius chegou e colocou a mão no ombro do Thales, com um sorriso satisfeito.
Olhei pra cara dos dois.
— Voltei pra ficar.
*
Na manhã seguinte, acordei com meu celular tocando.
— Tenho uma ideia — Marina disse, antes mesmo do bom dia.
— Bom dia, Marina.
— Bom dia. Tenho uma ideia.
Sentei na cama porque conhecia a Marina e, quando ela estava empolgada com alguma ideia nova, não adiantava pedir pra conversar mais tarde.
— A coleção do Dia das Mães — ela disse. — Eu queria algo diferente.
Ela parou um pouco.
— E aí eu pensei no Thales.
Fiquei quieta por um segundo.
— Continua, Marina. Você me deixou curiosa, mulher.
Ela riu do outro lado da linha.
— A flor-de-maio significa tanto pra ele também, Bela. Essa história pertence aos dois.
Mesmo que ela não pudesse ver, concordei com a cabeça.
— E se a gente desenvolvesse a identidade visual junto com ele? Vocês dois na campanha! Seria muito bacana.
Eu tinha gostado da ideia.
Amado, na verdade.

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