Tá tudo bem, respira, Bela.
Tudo, nesta situação, faz parecer que eu tô entrando no covil de um psicopata.
Um cara podre de rico, poderoso, frio, meticuloso, lindo, que do nada decide que eu devo ser a babá do filho dele. Sendo que nunca me viu na vida! Super normal, nada de estranho mesmo. Não preciso me preocupar.
O fato de, quando mencionei isso, ele ter respondido que quem deveria se preocupar era eu, também não era motivo nenhum de alarme.
Não queria dizer que ele ou o filho eram psicopatas, muito menos que eu era a isca para um deles se divertir com instintos assassinos e depois me descartar numa vala qualquer.
Eu poderia citar uns dez filmes de terror em que a protagonista se meteu em situações bem menos perigosas e, ainda assim, acabou morta.
Meus pensamentos foram interrompidos quando o carro dele parou e… uau. Uau. Que casa enorme. Uma mansão daquelas que a gente só vê na televisão.
De repente, toda a concentração que eu vinha fazendo pra acreditar que não era tão esquisito assim o que estava acontecendo foi por água abaixo. Definitivamente eu iria ser morta naquela casa. Ou coisa pior.
Eu, de todas as pessoas, não deveria estar ali.
— Você vem? — meu recém-chefe me perguntava, com a porta do meu lado aberta, já quase revirando os olhos, claramente sem paciência. Na dúvida, achei melhor não irritar o meu possível futuro torturador e me apressei em sair do veículo.
Segui seus passos até uma porta gigantesca se abrir quando ele digitou uma senha e colocou a digital para autorizar o desbloqueio.
Droga.
Alerta vermelho.
Como eu sairia dali se ele resolvesse me trancar?
E se já tivesse tudo planejado desde sempre?
Pegar a primeira desesperada por dinheiro, fazer uma proposta absurda e, quem fosse maluca o suficiente para aceitar, seria a vítima da vez?
Minha mente fervia em mil cenários, todos com o mesmo final: Eu. Morta. E posso dizer que o vislumbre que minha mente me ofereceu deixou claro; se viva eu não sou bonita, morta ia ser bem pior.
Nem percebi quando já estávamos na sala. Bom, era apenas um menino. Comecei a respirar um pouco mais aliviada.
Embora o meu chefe, esse homem hostil que parecia não ter medo de nada nem de ninguém, claramente não sabia lidar muito bem com a criança. O próprio filho de dez anos.
Era um menino rude, sem dúvida. Mas tirando a aparência de sujo e a cara de ódio, não parecia capaz de me torturar num sótão escuro.
Ufa.
Assim que entrei, me examinou de cima a baixo com desprezo. Nada que eu já não tivesse vivido antes. Então, sinto informar, mas foi fraco. Nível iniciante de julgamento e bullying.
Estou acostumada a humilhações, objetos fedorentos voando na minha direção ou até sinal da cruz. Ser feia não era tarefa fácil, e não ia ser um garotinho que me faria sair correndo e chorando.
Me ofereci para cuidar de tudo quando percebi que Vinícius já estava perdendo a paciência com o garoto e, agora, aqui estávamos, só eu e Thales, numa sala de estar imensa.
O videogame ligado, ele jogado no sofá, cheirando azedo por não tomar banho.
Não sou especialista, mas aquele fedor de gambazinho dava fortes indícios de pelo menos três dias sem encostar num sabonete.
— Por que você é assim? — o menino perguntou, mexendo no controle do videogame sem nenhum compromisso, enquanto os personagens gritavam e soltavam magias na tela.


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