Margô me ligou numa quarta de manhã e disse que estava na cidade e queria tomar um chá.
Só isso. Nenhum aviso, nenhuma explicação. Tentei me acalmar. Vinícius também disse que eu não tinha motivos para me preocupar. Fácil para ele dizer. Meu pai adorava ele. Só faltava erguer uma estátua em sua homenagem.
Agora, a família do Vinícius não era exatamente calorosa.
O lugar que ela escolheu para conversar era uma cafeteria chiquérrima, um lugar que eu nem tinha sonhado em pisar antes de conhecer o Vinícius.
Era bem silencioso, com poucas pessoas.
Assim que entrei, já a encontrei.
Ela fez um sinal com a mão para mim e pediu que eu me aproximasse.
— Você tá bem? — perguntei, porque alguém precisava começar e, pelo silêncio da Margô, não seria ela.
— Estou.
Ela olhou para o chá que estava tomando, sinal de que eu tinha me atrasado um pouco.
Ótimo.
Que beleza.
Tinha começado bem.
— Você sabe que não gosto de enrolar. Sou uma mulher direta.
— Eu sei.
— Então você entende que, quando apareço assim, é porque tenho algo importante a dizer.
A mulher fazia longas pausas, o que deixava a conversa ainda mais constrangedora.
— Eu conheço meu filho — ela disse devagar. — Não tão bem quanto deveria, admito. Minha criação me forjou assim. Sou uma mulher que acredita mais na educação severa, em mostrar limites, regras e consequências.
Ela me olhou.
— Mas percebo que não é assim que decidiram criar o Thales. Você e o Vinícius têm outra maneira de ver o mundo.
— Margô...
— Deixa eu terminar.
Ela disse isso de forma fria.
— Eu não vim recriminar vocês. Não acho que estejam errados, apenas são diferentes. E eu respeito isso.
Ela pegou a xícara de chá e tomou outro gole.
Mais uma pausa longa.


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