Eu ainda não tinha me adaptado ao estresse dessas reuniões, muito menos quando sabia que os resultados seriam os piores possíveis.
Ajustei a gravata, que parecia estar me enforcando, e respirar ficou difícil.
Calma, pensei. O que poderia ser pior do que a última reunião, quando ficou claro que o ano passado tinha sido o pior da história da Lotus?
Que o meu primeiro ano como presidente foi um absoluto fracasso.
Apertei o botão do aplicativo de videoconferência para ativar a webcam e acabar logo com esse castigo.
— Boa tarde, pessoal — cumprimentei, forçando um sorriso enquanto arrumava o ângulo da câmera.
No mosaico da tela, vi a miniatura dos rostos hostis que pareciam querer me fuzilar desde que assumi a presidência da empresa dois anos atrás.
Meu pai, com aquela expressão de decepção permanente que ele reservava especialmente para mim.
Minha mãe, mexendo distraidamente no celular, claramente mais interessada em tudo menos no que acontecia na reunião.
E Valéria, minha ex-sogra, com um sorriso de satisfação que eu sabia significar problemas pro meu lado. Aquela mulher se alimentava do meu fracasso e do meu sofrimento.
Eu sei que me recusei a casar com a filha dela quando ficou grávida, mas eu não a amava. Quase onze anos depois, Valéria ainda não tinha me perdoado.
— Vinícius, vamos direto ao ponto — disse meu pai, sem rodeios. — Os números da campanha "Beleza Verdadeira" chegaram hoje de manhã.
Senti o estômago apertar. Pela expressão dele, eu já sabia que não eram bons.
— E então?
Fernanda, nossa diretora de marketing, pigarreou antes de falar:



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