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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 140

Valéria simplesmente apareceu sem avisar, o que, se tratando dela, já era o esperado.

Quando ouvi a campainha tocar na mansão, fui até a porta atender e lá estava ela.

— Posso entrar? — perguntou.

Fiz um gesto pra que entrasse e me afastei da porta.

Já sentadas no sofá da sala, Valéria disse sem cerimônias:

— Não vou entrar com o recurso.

Fiquei sem ter o que dizer, surpresa.

— O processo acabou — ela continuou. — A guarda é do Vinícius e eu vou cumprir o acordo de visitas que ficou combinado.

— Certo — disse com cuidado, pra não começar alguma guerra por causa de alguma palavra atravessada.

Mas Valéria não parecia armada dessa vez.

Me olhou pela primeira vez de forma cálida.

— Ele mudou — ela disse. — O Vinícius. Eu praticamente vi ele crescer e pode não parecer, mas gosto dele.

Ela parou um pouco, ajeitando o tecido do vestido e olhando pra baixo.

Depois de alguns segundos, voltou a olhar pra mim.

— Eu tinha grandes expectativas quando minha filha se apaixonou por ele. E mais ainda quando engravidou. Mas ele não a amava.

Valéria fez uma pausa maior dessa vez.

Percebi que estava tentando não deixar as emoções tomarem conta, manter a pose de durona.

Quando sentiu que estava forte o bastante pra continuar, ouvi sua voz de novo:

— Quando Marcela descobriu a doença, eu esperei muito do Vinícius. Pensei que ele tivesse a obrigação de estar com ela, mesmo não sendo o marido da minha filha. É que ela o amava. Desde sempre. Desde pequena. E parecia injusto que ela sofresse tanto sem ele ao lado.

Ela suspirou.

— Mas assim foi.

— Valéria, eu sinto muito.

Tentei reconfortá-la, colocando minha mão sobre a dela.

Sentadas lado a lado, temi que tivesse estragado tudo com aquele gesto, porque ela franziu as sobrancelhas.

Mas logo em seguida apertou minha mão, apreciando o contato.

— Foi erro meu. Eu esperei algo dele que não era recíproco.

Valéria me olhou com seriedade, como se estivesse prestes a contar um segredo importante.

— Ele mudou. Você foi a responsável. Não sei o que aconteceu entre vocês, mas o Vinícius de hoje é o Vinícius que eu sempre quis que ele se tornasse. Eu sabia que ele tinha muito amor pra dar e que podia ser um ótimo pai.

Concordei com a cabeça.

— Sei que o Thales vai estar em boas mãos — ela continuou. — Com o pai e com você.

Fez uma pausa.

— E eu te respeito por isso.

Valéria concluiu:

— Isso não quer dizer que a gente vai tomar café juntas, nem que vou ser sua amiga agora.

— Não se preocupe, eu entendi — respondi, achando graça.

O que também arrancou um pequeno sorriso dela.

*

Tinha fila na calçada.

Fiquei parada na esquina, meio sem reação.

A lanchonete do meu pai estava irreconhecível.

E, quando digo isso, é um baita elogio, porque agora realmente parecia uma lanchonete.

Mais do que isso, a entrada tinha ficado tão profissional que daria inveja a qualquer rede de fast-food por aí.

Ainda assim, eu conseguia enxergar a personalidade do meu pai.

O prédio era todo preto, com luzes de LED vermelhas, janelas grandes de blindex e um letreiro lindo numa fachada com o logo — um hambúrguer mordido no "o" de Ernesto.

Hamburgueria do Ernesto brilhava em luzes de neon.

Lá dentro estava ainda mais lindo.

Capítulo 140 - Bela 1

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