O burburinho da festa se calou assim que Vinícius subiu no palanque.
— Boa tarde — ele disse.
Estávamos em uma confraternização da Lotus pra comemorar os ótimos resultados da coleção Beleza Verdadeira e o sucesso da filial de São Carlos.
Mais um braço da empresa que agora estava forte o suficiente, sem riscos de fechar como pouco tempo atrás.
Em parte, devíamos isso à Marisa, pela ótima administração.
Fiquei do lado do palco com um copo de suco na mão, ouvindo ele agradecer à equipe, mencionar os resultados da campanha Beleza Verdadeira e dizer que a filial de São Carlos estava de volta aos trilhos.
Alguém no fundo assobiou quando ele mencionou as metas cumpridas.
— Tem uma outra coisa que não tem nada a ver com resultado de campanha.
Senti o coração acelerar.
Porque ele disse aquilo olhando pra mim.
Momentos depois, desceu do palco.
A fábrica inteira ficou em silêncio nos observando.
— Isabela — ele falou comigo, ainda com o microfone na mão. — Sei que já pedi isso em particular e que provavelmente você vai querer me matar, mas achei que seria adequado oficializar o pedido aqui, pra que todos saibam o quanto eu te amo.
Ele fez uma pausa.
— Quer se casar comigo?
Vi ele se ajoelhar e uma onda de "awnn, que fofo" se espalhou entre as funcionárias da empresa.
Fiquei olhando pra ele, ajoelhado na minha frente, diante de todo mundo, e perdi a habilidade da fala.
— Amor? Espero que não tenha mudado de ideia.
Vinícius me chamou de volta à realidade, arrancando risadas da maioria.
Fechei os olhos, respirando fundo.
Quando os abri, ele sorria pra mim, ainda segurando a aliança.
— Sim. Claro que sim! — aceitei.
Todo mundo aplaudia enquanto Vinícius se levantava, colocava o anel no meu dedo e me dava um beijo nos lábios.
*
Já esperava encontrar Juliano perto da mesa de frios.
E lá estava ele.
Com um prato na mão cheio de coisas e uma expressão de que aquilo não era nem o começo.
Concentrado, analisava o que mais tinha de bom pra equilibrar no pouco espaço que a louça ainda reservava.
— Parabéns — ele disse.
— Obrigada, Ju — respondi emocionada.
Com uma sensibilidade duvidosa, quebrando completamente o momento emotivo, Juliano começou a enfiar comida na boca.
Acabei dando risada.
— O que foi? — perguntou com a boca cheia.

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