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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 99

Eu estava prestes a ter um treco sem notícias do Vinícius.

Desde que cheguei à apresentação do Thales, ele não respondeu nenhuma das trocentas mensagens que mandei. Já estava ficando preocupada além da apresentação, já cogitando que quem quer que tivesse batido no Jonas também tinha pegado ele. Afastei esse pensamento da minha cabeça; eu não podia entrar em pânico agora, não com o Thales prestes a entrar no palco. Ele precisava de mim, pelo menos de alguém ali por ele que assistisse à apresentação e passasse confiança.

Sabia que o menino estava nervoso e eu, mais nervosa ainda, e cada vez que uma criança nova desafinava no palco eu sentia meu coração acelerar mais rápido, porque sabia que a apresentação dele estava mais próxima e Vinícius não tinha chegado.

Respirei fundo porque prometi pro Thales que estaria com ele até o fim e que daria tudo certo. Mas eu tinha prometido algo a mais também: que Vinícius iria adorar a apresentação e que não perderia por nada desse mundo.

Eu e minha boca grande!

Como eu poderia ter prometido algo que nem estava sob meu domínio?

Já devia ter desconfiado que essa reunião de última hora iria estragar tudo. Vinícius não quis me contar com detalhes, mas eu sabia que tinha a ver com o Jonas e com a falência da filial. Perguntei se ele não podia ter esperado pra depois da apresentação, na segunda-feira, e ele disse que não, que quanto mais tempo passasse mais difícil seria de pegar o culpado no pulo. E agora aqui estava eu, com o coração saindo pela boca, com medo de que o Thales ficasse devastado.

Ele passou tantos dias ensaiando e, por mais que eu soubesse que ele gostava de mim, esse show não era pra mim. Era pro pai dele.

Sentei na fileira do meio, junto da Inês, que usava um suéter azul-bebê de lã e comia balas de goma, rindo na cara da diabetes. Olhei pra ela, nervosa, e Inês me ofereceu gominhas, colocando o pacote inteiro na minha mão. Aceitei, porque estava nervosa e com problemas demais pra me preocupar com altas dosagens de açúcar no sangue.

A cada três minutos eu conferia o celular, e nada. Nem uma resposta automática tipo “já te ligo”. Nem o emoji de polegar pra cima que ele mandava quando estava ocupado demais pra escrever qualquer coisa.

Nada.

Olhava para a porta do auditório, esperando que ele fosse surgir, mas a cada pessoa que entrava e não era ele, a minha esperança se esvaía mais.

Depois das primeiras apresentações, a diretora da escola fez um discurso que ninguém parecia ligar em ouvir — eu menos ainda, com a cabeça longe. Depois de vários minutos enrolando — o que eu tenho que admitir que gostei e torci pra que fosse o suficiente pro Vinícius chegar a tempo — deu boa sorte pros alunos e avisou que o cronograma estava atrasado porque o DJ da próxima apresentação ainda não tinha chegado.

A plateia resmungava. Alguns pais se ajeitavam na cadeira, outros olhavam no celular, parecendo ocupados e irritados em passar mais do que o tempo pré determinado vendo crianças com talentos duvidosos se apresentando.

Eu não, aquele atraso era a única esperança pra mim.

Quando o DJ finalmente chegou, uns trinta minutos atrasado, um grupo de alunos dançou e um deles tentou dar um mortal, caindo e batendo a cabeça. Mais uns minutos de atraso até conferirem se a criança estava viva e bem, e me senti muito mal depois por ter, de certa forma, comemorado mais esse atraso. Esse CEO ia me levar pro inferno, literalmente.

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