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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 237

Blake não se move para dar espaço, não se afasta, não pergunta absolutamente nada. Só me encara por um segundo longo demais, avaliando alguma coisa que não faço ideia do que seja.

— Entra — diz, por fim, dando um passo para o lado.

Entro e paro no meio da sala, observando ao redor para disfarçar o nervosismo.

O apartamento é idêntico ao meu em estrutura, mas não parece o mesmo lugar. Não há xícara esquecida na mesinha de centro, nem um notebook aberto sobre o sofá.

Aqui, tudo é mais… dele. Mais organizado, mais impessoal, mais silencioso.

Ele fecha a porta atrás de mim com um clique baixo, mas o som ecoa mais do que deveria.

Por um segundo, penso em tudo que poderia dizer. Em como começar. Em como não parecer ridícula. Em como não confirmar exatamente o que ele já deve ter entendido.

Viro para ele antes que perca a coragem.

— Você não pode fazer isso — digo, sem rodeios.

— Fazer o quê, exatamente?

— Simplesmente… decidir ir embora como se isso resolvesse alguma coisa e deixar outro homem no seu lugar. Não estou confortável com isso.

Ele se encosta na porta, cruza os braços e me encara com aquela expressão que não entrega absolutamente nada.

— Não porque o Miller seja ruim, muito pelo contrário — continuo, mantendo o tom mais neutro que consigo. — É que… já me acostumei com a sua forma de trabalhar. Com os protocolos, com a rotina. Mudar isso agora, no meio de tudo, não faz sentido.

— Miller tem o mesmo nível de preparo — responde, com calma. — Se é sobre segurança, não há motivo para a mudança te incomodar.

— Eu sei disso.

— Então, o problema não é operacional.

Engulo em seco, cruzando os braços sem perceber, como se isso fosse me dar algum tipo de controle sobre a situação.

— Não — admito, num tom baixo. — Não é operacional.

Blake não reage, claro. Só continua me observando, como se estivesse esperando eu terminar de chegar onde claramente estou evitando.

— O problema é que não quero o Miller — digo, mais devagar. — Quero você naquele apartamento.

— Você disse que queria ficar sozinha — responde, calmo demais. — Que queria se livrar dessa bagunça.

— Sei o que disse — murmuro, baixinho. — Eu só estava tentando… lidar com a situação. Não foi exatamente um pedido para você transformar tudo em uma decisão definitiva.

Blake fica em silêncio por tempo suficiente para me arrepender da metade do que acabei de dizer.

Ele continua me olhando, com aquela expressão fechada que não entrega nada, e por um segundo acho que errei em ter vindo praticamente implorar.

— Você realmente não vai falar mais nada? — pergunto, levantando uma sobrancelha.

— Não sei se posso falar o que realmente quero.

— Pode — respondo, antes que ele recue. — Aqui, agora, somos dois adultos conversando, não protegida e guarda-costas. Então, por favor, esqueça os protocolos, a missão e toda essa formalidade que parece fazer parte de você… e fale.

— Não precisa explicar — diz, antes que eu tente justificar. — Não estou pedindo explicação para o que você estava fazendo. Estou sendo honesto, como você pediu.

Ele continua me olhando como se já tivesse ido longe demais para voltar atrás.

— Então, para deixar claro, caso ainda tenha dúvidas — continua, firme —, não saí porque você quis. Saí porque, se eu continuasse lá… eu não ia agir como deveria.

Fico parada, processando cada palavra que ele acabou de dizer.

É a coisa mais direta que ele já disse desde que nos conhecemos. E, vindo de Blake, que mede cada palavra antes de soltar, é quase demais para absorver de uma vez.

— Então… — começo, devagar, testando o chão antes de pisar. — O que você está dizendo é que foi embora para se proteger. Não de mim. De você mesmo.

Ele não responde, mas também não nega. E isso é resposta suficiente.

Dou um passo à frente, consciente de cada centímetro que diminui entre nós.

— E agora? — pergunto, baixo.

— Agora não mudou nada — responde, com a voz mais rouca do que deveria. — Você ainda é minha protegida. Simon ainda está solto. Eu ainda tenho um trabalho a fazer.

— Eu sei de tudo isso — murmuro, sincera. — E não estou pedindo para você esquecer. Estou pedindo para você voltar. Só isso.

Me aproximo um pouco mais, ficando perto o suficiente para deixar de fingir que isso é uma conversa normal.

— E agora que admiti que quero que você volte — continuo, levantando o queixo —, você ainda quer ficar longe de mim?

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