As palavras saem tão naturais, tão sinceras, que sinto meu coração falhar uma batida.
Lucas desvia o olhar rapidamente, voltando a se concentrar nos ovos, como se não tivesse acabado de dizer algo que mexeu completamente comigo.
— Gosta de bacon? — pergunta, mudando de assunto de forma tão abrupta que quase me faz rir.
Assinto, sem comentar. Porque está claro que ele percebeu que se expôs demais e agora está recuando.
Alguns minutos depois, Lucas coloca um prato na minha frente com ovos mexidos, bacon e torradas.
— Uau — digo, impressionada. — Você realmente sabe cozinhar.
— Te avisei — responde, sentando-se no banco ao meu lado, voltando ao tom casual.
Dou a primeira garfada e… está delicioso.
— Ok, admito — digo, pegando mais um pedaço de bacon. — Você é bom nisso.
— Sou bom em várias coisas — ele responde, e o tom sugere que não está falando só de cozinhar.
Reviro os olhos, mas não consigo segurar o sorriso.
Comemos em silêncio por alguns minutos, até que percebo Lucas me observando.
— O quê? — pergunto, limpando a boca com o guardanapo. — Meu rosto está sujo?
— Não — ele responde, sorrindo de lado. — Só… gosto de te ver assim.
— Assim como?
— Relaxada. Confortável. Sem aquela formalidade irritante do “Sr. Sinclair” — diz, fazendo uma imitação péssima da minha voz.
— Eu não falo assim!
— Fala, sim. Sempre toda certinha, profissional… como se nunca tivesse gemido meu nome.
Sinto meu rosto explodir em chamas, e ele ri, claramente se divertindo com minha vergonha.
— Não fica assim — diz, puxando minha banqueta para mais perto. — Você fica ainda mais linda quando cora.
Terminamos o café entre provocações leves, risadas e uma intimidade que nunca imaginei que teríamos.
E, pela primeira vez desde que acordei, consigo relaxar completamente.
Alguns minutos depois, quando terminamos o café, lavo a louça, mesmo sob os protestos de Lucas sobre “eu ser hóspede e dever relaxar”.
— Não sou hóspede — rebato, secando um prato. — Sou sua… — paro, percebendo que não sei como terminar a frase.
Sua o quê? Funcionária? Amante? Algo mais?
— Minha — ele completa, tirando o prato da minha mão e me puxando pela cintura. — É isso que você é. Minha.
Meu coração dispara, mas, antes que eu possa responder, ele já está me beijando.
Quando nos separamos, ele encosta a testa na minha.
— O que você quer fazer? — pergunta, baixo.
— Não sei. O que você costuma fazer quando está aqui?
— Trabalho.
— Isso não é relaxar, Lucas.
— Eu sei — ele dá de ombros. — Mas não sei fazer outra coisa.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO