É curioso como duas pessoas completamente diferentes podem ser exatamente iguais em certas situações.
Basta um som, um movimento fora do padrão… e algo muda. O sorriso some, o corpo se ajusta, o olhar endurece.
Como se alguém tivesse apertado um interruptor, desativado a pessoa comum e ativado o profissional.
Miller deixa a xícara de lado e vai até a sala. Pouco tempo depois, ouço a voz da Tiffany falando com ele.
Quando ela aparece na cozinha, trazendo dois lattes como sempre, seu olhar percorre o ambiente rápido demais para ser casual.
— Quem é esse? — pergunta, em voz baixa, chegando até a bancada.
— Miller — respondo, pegando um dos lattes. — Meu novo segurança.
— Novo segurança — repete, devagar, franzindo as sobrancelhas. — E o Blake?
— Foi para o apartamento ao lado — digo, com uma naturalidade que não sinto nem de longe. — Vai supervisionar de lá.
— Você está falando sério?
— Estou.
— E você deixou?
Solto um suspiro curto, apoiando a mão na bancada.
— Não foi exatamente uma votação democrática.
— Sophia… — ela começa, estreitando os olhos. — O que você fez?
— Não fiz nada, Tiff. Ele achou melhor assim — murmuro, me levantando. — Vou buscar meu notebook, já volto.
Saio da cozinha antes que ela possa falar mais alguma coisa e vou direto para o quarto. Demoro o máximo que consigo, na esperança de que ela simplesmente esqueça o assunto.
Mas, quando volto para a cozinha, claro, Tiffany está sentada em frente ao notebook, mas nem sequer finge estar ocupada.
— Não vai fugir dessa — diz, antes mesmo que eu me aproxime.
— Não estou fugindo — respondo, puxando a cadeira e me sentando. — Só fui pegar o notebook.
— Demorou oito minutos para pegar algo que estava no seu quarto — rebate, arqueando uma sobrancelha. — Impressionante.
Lanço um olhar rápido para ela, mas não respondo. Abro o notebook, como se isso fosse suficiente para encerrar o assunto.
Mas não é.
— Ele ouviu nossa conversa, não foi? — pergunta, cruzando os braços sobre a bancada.
— Não precisa ser um gênio para saber que sim — respondo, sincera. — Talvez não tenha ouvido tudo, mas…
Começo a contar para ela sobre o que ele falou, incluindo a parte em que tomou essa decisão por ser melhor para nós dois.
Quando termino, ela fica em silêncio por um momento.
— E agora? — pergunta, por fim.
— E agora nada, Tiff. Ele tomou a decisão, resolveu o problema. Acabou.
— Mas você não quer que acabe assim.
Pego o latte e giro o copo entre as mãos. Poderia mentir, mas a verdade é que estou cansada demais para isso.
— Não sei o que quero.
— Sabe, sim — ela diz, simples. — Só está com medo de querer.

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